O Casamento Do Sculo
The Wedding Or The Century - Sabrina Noivas 25
Mary Jo Putney

Primeiro veio o casamento... Depois, a paixo! Justin Thornborough, nono duque de Thornborough, precisava se casar urgentemente com uma herdeira rica, para livrar a famlia da falncia. E a primeira pessoa em quem ele pensou foi Sarah Vangelder, uma milionria americana, que conhecera alguns meses antes, em uma festa.Depois que todos os arranjos foram feitos e os termos do casamento colocados no papel, eles se casaram na cerimnia mais esperada do sculo. Mas o que era para ser apenas um "arranjo" tomou um caminho inesperado quando Sarah descobriu-se apaixonada pelo marido...

Digitalizao e Correo: Nina
 

Srie Noivas Prometidas (Promised Brides)

Autor	Ttulo	Ebooks	Date
Kristin James	Jesse's Wife (ss)

Jun-1994

Mary Jo Putney	The Wedding of the Century (ss)
Sabrina Noivas 25 - 
O Casamento Do Sculo
Jun-1994

Julie Tetel	The Handfast (ss)

Jun-1994



Dados da Edio: Editora Nova Cultural 1995
Publio original: 1994
Gnero: Romance histrico 
Estado da Obra: Corrigida














CAPITULO I

Sarah Vangelder, passeando por entre os imensos jardins, constatou que acertara quando havia decidido realizar uma visita aos campos ingleses, depois de duas semanas de vida social intensa em Londres. Sim, respirando o ar puro e tranquilo, nos domnios daquele vasto palcio em estilo vitoriano, certificou-se de ter sido uma tima opo de descanso.
A natureza parecia ter colaborado e abenoando o lugar. Nuvens brancas pontilhavam o cu azul. A grama e as rvores reluziam ao sabor de uma leve e agradvel brisa e os famosos canteiros de Swindon estavam floridos, apesar de ainda no terem alcanado seu apogeu de beleza e exuberncia, embora a primavera no tivesse comeado.
Todos os convidados, ali presentes, pertenciam  mais alta linhagem da sociedade britnica e europeia. Os homens eram quase todos de famlias aristocrticas que contavam mais de quatrocentos anos, bonitos e garbosos em seu fraques e cartolas. As mulheres usavam vestidos lindos e extravagantes, modelos da ltima moda de Paris. Pelo menos, era o que ia pensando Sarah Catherine Vangelder, da rica famlia dos Vangelder, multimilionrios de Nova York. A mulher a seu lado olhou-a, preocupada:
 No me parece empolgada, Sunny.
Sarah olhou para a madrinha, com um sorriso nos lbios.
	Olhe s quem est falando! Como pode fazer um comentrio desses a famosa Kathie Schmidt, de San Francisco, que escandalizou todo o high-society ao andar a cavalo pelo Hyde Park?
	Ora, ora!  ponderou a outra, sem nenhum sotaque americano.   que agora no sou mais a Kathie Schmidt. Sou Katherine Schmidt Worthington, condessa de Westron, dama de companhia de sua rebelde e sem modos afilhada e sobrinha.
	Pensei que ns, garotas norte-americanas, fssemos admiradas por nossa determinao e coragem  Sunny retrucou, ainda rindo.  E por nossa fortuna...  claro!
	Mesmo nas camadas sociais mais altas, as boas maneiras so bem-vindas, querida. Se quiser se tornar uma duquesa, deve se comportar melhor.
E se no quisej?indagou, depois de alguns instantes.
	Sua me passou os ltimos vinte anos dando-lhe a melhor educao que o dinheiro pode comprar  lady Westron respondeu.  Ser uma pena se tiver perdido tanto tempo...
	Sim, tia Katie. Se me comportar direitinho, posso ver o famoso jardim de inverno mais tarde?
	No at que a apresente a todos que merecem ser conhecidos. Negcios antes do prazer, minha querida.
lady Westron continuou a andar por entre os convidados, parando de vez em quando para apresentar  afilhada as pessoas mais influentes presentes quela reunio.
Sabendo que estava sendo observada com muito rigor, Sunny sorria polida e conversava com toda a educao que achava possuir. Tentou no parecer deslumbrada com tudo o que via, at que foi apresentada a Paul Curzon.
Alto, loiro e simptico, Curzon era o tipo de homem que fazia qualquer mulher suspirar. Aps os cumprimentos de praxe, ele disse:
	Foi um imenso prazer conhec-la, srta. Vangelder.
Chegou h pouco tempo  Inglaterra?  A pergunta foi acompanhada por um sorriso cativante.
Se no fosse pela rigorosa educao que tinha recebido, Sunny teria pulado no pescoo dele, como se fosse uma mulher vulgar. Em vez disso, murmurou:
	Cheguei de Londres ontem  noite. Antes disso, estvamos viajando pelo continente.
	Se quiser visitar o Parlamento, srta. Vangelder, do qual sou um dos membros, ficarei deliciado em poder servir de cicerone. No possuo um cargo muito alto, mas ele  suficiente para poder lev-la para tomar um ch no terrao de suas dependncias. Achar muito interessante.
	Talvez daqui h alguns dias a srta. Vangelder consiga ficar livre dos vrios compromissos que assumiu  lady Westron interrompeu a conversa.
Depois de se desculpar com Curzon, a tia pegou Sunny pelo brao e levou-a para longe.
	O sr. Curzon  o homem mais bonito que j vi em toda minha vida!  Sunny murmurou.
	Sim, mas  o filho caula de trs irmos... E por esse motivo no herdar o ttulo da famlia.  lady Westron deu-lhe um olhar de advertncia.  No  o tipo que sua me aprovaria para voc.
	Entretanto como membro do Parlamento britnico, deve ter algum prestgio  Sunny ponderou.  Meu av aprovaria com toda certeza.
	O almirante Vangelder no iria querer um homem sem um ttulo de nobreza para sua neta favorita!  lady Westron retrucou, com firmeza.  Venha, quero que conhea lorde Traymore. Um ttulo irlands, infelizmente, mas um conde  um conde. Alm de ser muito charmoso, com ele voc ter mais oportunidades.
Obediente, Sunny seguiu a madrinha at o prximo grupo de convidados, apesar de ter prometido a si mesma que escaparia dali, na primeira oportunidade que tivesse, pois queria visitar o jardim antes que fossem embora.
Ela se sentia feliz por ter se livrado da me. Augusta Vangelder era uma me muito devotada e solcita, contudo possua ideias inflexveis sobre como as coisas deveriam ser. Estava de cama numa sute do hotel Claridge e, por isso, Sunny estava acompanhada da tia e madrinha, que era muito mais liberal e podia ser considerada uma verdadeira amiga.
Lady Westron conhecia todos os presentes e fazia alguns comentrios, s vezes bastante engraados, sobre eles, antes de apresentar a Sunny, fazendo com que a sobrinha tivesse de segurar o riso.
	Onde est o duque de Thornborough? Gostaria de conhecer nosso anfitrio to prestativo  Sunny indagou.
Lady Westron olhou ao redor e depois apontou com ura gesto de cabea.
	Aquele ali... Alto... De chapu escuro.
	 to bonito quanto o sr. Curzon  Sunny comentou.  E tem um ar to distinto...
	Sim. E ele  simptico e educado, tambm  lady Westron acrescentou.   considerado muito amigo do prncipe e sempre  recebido na Wales Marlborough House. Vou apresent-la a ele, mais tarde.
	Serei apresentada como um trofeu que se deva conquistar?  Olhou desconfiada para a madrinha.
	No. Thornborough no gosta... Bem... Prefere mulheres mais sofisticadas. Ele deve ser o eleito de May Russell, em breve.
	A americana?  Sunny perguntou, surpresa.
A prpria. Ela  uma boa escolha, apesar de j ter dois filhos dos maridos anteriores... Assim, no ter problemas em dar um herdeiro ao duque... Alm de sua fortuna ser imensa.  Lady Westron limpou o rosto com o lencinho que segurava entre os dedos.  S Deus sabe como o duque est precisando disso.
	Quem  o homem ao lado?
	Oh... Aquele  Gargoyle.
	O qu?  Sunny olhou para a madrinha, sem ter certeza de ter ouvido direito, pois aquela palavra, para ela, significava horroroso, grosseiro.
	 lorde Justin Aubrey, o irmo mais jovem de Thornborough. Todos o conhecem por Gargoylelady Westron explicou.  Cuida das propriedades do duque, o que significa que  um pouco mais do que um simples fazendeiro.
Sunny enrugou a testa, enquanto o analisava. Parecia no ser to bonito quanto o irmo. Na verdade, seu rosto tinha uma expresso endurecida.
	Por que tem esse apelido to rude? No  como o sr. Curzon, todavia tambm no  feio!
	Os Aubrey so conhecidos por serem altos, loiros e aristocrticos e lorde Justin no  nada disso. Est sempre calado e raras vezes se engaja numa conversa.  Lady Westron esboou um sorriso.   um fato estranho... De todos os Aubrey homens, s ele  assim, olhos e cabelos negros. A irm caula, lady Alexandra, se parece um pouco com ele... Pobre garota. Penso que ela deve estar escondida em algum lugar por aqui.  conhecida como Gargoylette.
Sunny continuou olhando para lorde Justin. Apesar de no ser alto, no podia ser considerado baixo; parecia ser uns trs ou quatro centmetros mais alto que ela. Notou, tambm, que devia estar na casa dos vinte anos, contudo sua expresso sria emprestava-lhe um ar de mais velho e parecia no estar aprovando o que via a seu redor. Os pensamentos de Sunny foram interrompidos por lady Westron:
	Lorde Hancock est aqui! Eu esperei tanto encontr-lo! Venha, querida, voc deve conhec-lo!
Depois de mais uma olhada rpida em direo ao jardim, Sunny seguiu a madrinha at o interior do amplo salo de festas.
O oitavo duque de Thornborough pegou um morango de uma bandeja colocada sobre a mesa.
	Que delcia!  E pegou outro.  Voc tem tido muito sucesso com sua plantao, meu irmo.
	Eu s dou ordens, Gavin.  Justin Aubrey encolheu os ombros.   o jardineiro que tem o verdadeiro trabalho.
	Algum deve dar as ordens certas e esse algum no sou eu, com certeza.  O duque comeu vrios morangos, antes de acrescentar.  Relaxe, Justin. Voc trabalhou duro por semanas, para que essa reunio tivesse sucesso. Por que no aproveita e se delicia com os resultados? Todos esto se divertindo...
	Ainda bem, considerando que esse evento custou nada mais nada menos que duas mil libras!  Dinheiro
que poderia ter sido gasto de outras maneiras, Justin pensou.
Gavin ergueu as mos, em sinal de rendio.
	O duque de Thornborough tem a obrigao de manter um certo estilo em suas recepes. Depois que me casar com May, haver dinheiro suficiente para repor o que venho gastando.
	Voc e a srta. Russell chegaram a um acordo?  Justin olhou srio para o irmo.
	Vamos anunciar o casamento em breve e casaremos no vero.  Gavin assentiu.  Pode comear a pensar na reforma do telhado desde j. Assim, tudo estar pronto quando o inverno chegar.  Deu uma olhada ao redor.
	Vejo que lady Westron est acompanhada por uma criatura adorvel. Deve ser a Garota Dourada. Ouvi dizer que est alvoroando a sociedade londrina. O prncipe at j a convidou para visitar Sandringham.
	Ento, sua ascenso social est feita; Justin con cordou com uma ponta de ironia.  Mas quem  essa... Garota Dourada"?
	Sarah Vangelder, a flor mais bonita de toda a imensa fortuna dos Vangelder. Dizem que  a herdeira mais rica do outro lado do Atlntico.
Justin acompanhou o olhar do irmo, at onde Sarah conversava com trs rapazes. Assim que a localizou, seu corao comeou a bater desenfreado. Era a mulher mais linda que tinha visto, at ento. Alta e esguia. De cabelos loiros e presos num coque, escondido pelo chapu, que a deixava com o ar mais inocente do mundo. Sem sombra de dvida, uma bela mulher, pensou, desejando ser apresentado a ela.
	Muito simptica!  exclamou por fim, fascinado.
	Talvez, meu irmo, eu devesse reconsiderar meu casamento com May  Gavin opinou, pensativo.  Dizem que Augusta Vangelder, sua me, quer que a garota se transforme numa duquesa. Ser que eu deveria oferecer-lhe o ttulo dos Thornborough?
Apesar de amar Gavin, Justin no tinha nenhuma iluso quanto ao seu carter de conquistador inveterado.
	No. Voc vai descobrir que a garota  inexperiente nas lides do amor e logo se cansar dela.
	Est certo  Gavin concordou.  Mesmo assim, ela  irresistvel.
Nesse nterim, trs membros do parlamento e dois ministros do gabinete caminharam em direo ao duque para cumpriment-lo.
Justin aproveitou a oportunidade para escapar daqueles apertos de mos que se sucederiam, centenas de vezes. Preferia estar em qualquer outro lugar. Esgueirando-se por entre os convidados, caminhou at o jardim de inverno, que havia sido cuidado para que todos o apreciassem. Corria o risco de encontrar casais perdidos no meio das rvores embora, com um pouco de sorte, talvez no percebessem sua presena. Quanto aos outros convidados, deviam estar mais interessados em tomar champanhe francesa e fazer comentrios sobre a vida das pessoas presentes  recepo.
Depois de meia hora caminhando por entre as rvores altas, Justin sentiu-se relaxado e at chegou a pensar que deveria retornar  festa.
No que algum fosse sentir sua falta, no entanto gostava de ficar atento e se tudo estava correndo como o irmo queria.
Assim que tomou a direo da imensa porta dos gigantescos vitrais que circundavam o jardim, ouviu uma voz feminina:
 Diabos!
Ele se virou para onde vinha a voz e aps dar alguns passos, viu quem havia blasfemado; a Garota Dourada.
O sol batia em seus cabelos, tornando-os ainda mais loiros e considerou que aquele apelido fazia jus  sua beleza e uma sensao estranha apoderou-se dele.
Sunny tentava desenroscar o chapu, preso em um galho.
Em qualquer outra mulher, aquilo pareceria constrangedor, porm no com ela que ficava cada vez mais encantadora, ao demonstrar contrariedade por tentar safar-se, mesmo sem ter a menor noo de como poderia ser feito.
Justin aproximou-se por trs e tentando manter a calma, ofereceu-se:
	Posso ajud-la?
Ela virou-se, assustada, e mediu-o de cima a baixo. Depois sorriu, aliviada.
	g claro que sim! Caso contrrio, o sr. Worth vai ficar furioso comigo.
Justin aproximou-se e tomou o chapu de suas mos.
	E importa muito para voc o que um costureiro possa pensar?  indagou, conseguindo libertar o chapu.
	O sr. Worth no  um simples costureiro.  um artista! Sou-lhe grata por ter me dado a honra de conhec-lo. Depois de descrever-me como se lapida uma pedra preciosa, ele desenhou este modelo para mim.  Sunny apontou para o vestido que usava.  E acrescentou esse chapu ao vestido dizendo que qualquer estrago seria o fim do traje.
	Voc sempre faz o que os outros esperam que faa?
	Justin indagou, entregando-lhe o chapu.
	Quase sempre  respondeu com um certo orgulho.
	A vida fica mais fcil.
	A propsito, sou Justin Aubrey.
	E eu sou Sarah Vangelder, entretanto a maioria das pessoas me chama de Sunny.  Esticou a mo para o cumprimento e um sorriso iluminou-lhe o rosto.
Era alto, pois seus olhos estavam quase no mesmo nvel dos dela. A princpio, Justin julgara que fossem negros, mas agora que estavam prximos, pode constatar que eram de uma tonalidade diferente de verde, como uma esmeralda. Respirou fundo e ento pegou a mo de Sunny, beijando-a.
Voc no deveria estar aqui sozinha, srta. Vangelder. 
	Eu sei, porm fiquei com receio de no ter outra oportunidade de ver esse jardim maravilhoso.
	Est querendo ver onde poder passar alguns momentos, caso mude para c?  falou rspido.  Devo adverti-la de que meu irmo no est mais entre os solteiros disponveis.
	Gosto de jardins, lorde Justin  retrucou, com a mesma rispidez.  Voc  sempre, assim, to grosseiro?
	Sempre. Tirei o primeiro lugar em Oxford  Justin ironizou.
	Voc tem senso de humor!  Sunny mudou de tom.
	Fale baixo! Isso arruinaria minha reputao.  Ele ofereceu-lhe o brao.Deixe-me acompanh-la at l dentro.
Assim que comearam a caminhar, ela sussurrou:
	No poderamos mudar o itinerrio? Eu realmente gostaria de conhecer mais um pouco desse jardim to famoso.
Justin sabia que deveria lev-la de volta antes que dessem por sua falta. Em vez disso, viu-se respondendo:
	Muito bem, srta. Vangelder.
E comearam a caminhar por entre o jardim. Viram o cho recoberto pelas pinhas que haviam comeado a cair. Justin, ento, sentiu o perfume que vinha de Sunny... Uma delicada fragrncia de violetas.
	Presumo que seja parente do almirante Vangelder  ele comentou.
	J ouviu falar de meu av?
	Quem no ouviu falar.  Justin afastou um galho para que Sunny passasse sem enganchar o chapu.  Ele faz parte da histria dos Estados Unidos.
	Sim... Vov iniciou-se no mundo dos negcios com um pequeno servio de balsas e acabou construindo um imprio naval. A partir algum tempo comeou a adquirir o controle das ferrovias do leste de meu pas, inclusive as da rota Nova York-Chicago. Criou uma Universidade que leva seu nome, em Nashville, Tennessee, apesar de ter sido acusado de um roubo... Mas para mim, ele foi e ser sempre um heri. Sinto muito a falta dele.  Ela fez uma pequena pausa, emocionada.  Vov gostava que as pessoas pensassem que era um almirante devido aos seus grandiosos navios, porm, na verdade, ganhou esse apelido quando teve seu primeiro emprego num barco, no canal de Erie.
	 mesmo?
	Sim. H vrios boatos que dizem que o pai dele, meu bisav, nunca chegou a se casar com a me.  Sunny mordeu o lbio.   bastante agradvel conversar com voc, lorde Justin. Contudo, no deveria ter falado tanto. Mame ficaria horrorizada se isso viesse  tona. Nossa famlia tem sido muito respeitada h vrias geraes.
	Seu segredo est guardado, srta. Vangelder  Justin assegurou-lhe.
Sunny sorriu-lhe de novo e aquele sorriso perpassou o corao de Justin. Por um momento, ele sentiu como se s os dois existissem no mundo.
Tratava-se de uma mulher encantadora e apesar de ela ter dito que era fcil conversar com ele, na realidade Justin pegou-se falando mais do que o usual. Contou-lhe sobre a histria de sua famlia e respondeu perguntas sobre o irmo e o ttulo que haviam herdado.
Juntos, chegaram at uma construo antiga, que mais parecia uma miniatura de um templo grego e quando entraram nas runas que havia no lugar, ele descreveu como o povo dali, os celtas, vivia centenas de anos antes.
Sunny estava maravilhada pela maneira eloquente com que Justin se expressava. Ouviu-o calada e no o interrompeu uma vez sequer, com grave ar de concentrao.
Depois que terminou a explicao, Sunny fez-lhe perguntas relativas a crise por que passou a agricultura e como os trabalhadores haviam se arranjado durante aquele perodo.
	Voc tem muitos conhecimentos, srta. Vangelder ele observou.
	Educao  uma espcie de paixo nos Estados Unidos. Por isso, papai insistiu que eu deveria ter vrios professores. Um pouco antes de morrer, me deixou prestar os exames para Oxford e Cambridge. E quase no coube em si de contentamento, quando viu que eu havia sido aprovada nas duas escolas, com timas notas.
Pelo menos teve uma boa educao, Justin ficou pensativo. Como a maioria das garotas britnicas, suas duas irms mais velhas no tinham tido muito acesso  educao. E Alexandra, a caula, que adorava ler, era to inteligente quanto Sunny. O homem que se casasse com Sarah Vangelder deveria se considerar um homem de sorte, sob todos os aspectos, Justin continuou pensando, enquanto entravam por um caminho cheio de plantas raras.
De repente, Sunny deparou com um lago no meio do jardim, contornado por imensas pedras, aparente sem formato definido.
	Interessante...  ela murmurou. - As propores... A maneira com as pedras esto dispostas nas margens... Como os ingleses conseguem obter esse efeito to maravilhoso dentro de uma redoma de vidro?
	E simples. Basta esperar duzentos, trezentos anos e a natureza se incumbir do resto.
Sunny sorriu e olhou para Justin, fazendo com que se sentisse o homem mais feliz do mundo. Seu corao batia descompassado, embora soubesse que precisasse se afastar dela o mais rpido possvel, antes que comeasse a fazer papel de tolo.
	Preciso lev-la para dentro.
	Creio que sim  Sunny concordou, dando uma ltima olhada para o lago.  Obrigada por me mostrar tudo, lorde Justin.
Alguns minutos depois, chegaram onde a recepo estava tendo lugar.  medida que se aproximavam, Paul Curzon foi ao encontro deles.
Tratavam-se de dois homens completamente diferentes. Curzon levava uma intensa vida social, enquanto Justin dedicava-se mais aos estudos de botnica. Aps cumpriment-lo, Curzon falou:
	Lady Westron estava perguntando por voc, srta. Vangelder.
Justin olhou para Sunny e notou que empalidecera diante das palavras de Paul.
	No estava em perigo, sr. Curzon  explicou, com os olhos brilhantes.  Sou uma apreciadora de belos jardins e lorde Justin, muito gentil, consentiu em me mostrar algumas das belezas e raridades que h por aqui.
Num tom de voz que denotava que Justin no passava de um simples jardineiro, Curzon falou:
	No poderia ter escolhido outro guia mais qualificado. Ningum conhece melhor sobre esse assunto do que lorde Justin.  Ele ofereceu o brao  Sunny.  Agora, devo lev-la at lady Westron.
Sunny voltou-se para Justin para despedir-se:
	Muitssimo obrigada pelo passeio, lorde Justin. Apreciei bastante.
Assim que Sunny pegou o brao de Curzon, Justin concluiu pesaroso que seria difcil esquecer aquela mulher e acompanhou-os com o olhar.
Paul Curzon e Sarah Vangelder eram loiros, altos e formavam um par perfeito. Pareciam membros de uma raa superior... Separada dos seres humanos normais.
Pela primeira vez na vida, Justin ficou ressentido por Gavin ter nascido antes dele, pois mulheres como Sunny Vangelder iriam sempre preferir homens como Gavin ou Curzon. Sentiu um aperto no corao e maldizendo a sina recolheu-se aos seus aposentos.
A recepo de Gavin teria de continuar sem ele.

CAPITULO II
Palcio de Swindon Vero de 1885
Justin olhava pela janela, pensando que a chuva era apropriada para aquele dia to triste. Depois de alguns momentos, percebeu que no estava sozinho.
	Por que pediu para me ver, sr. Burrell?
	Sinto interromp-lo, excelncia  o advogado falou, fazendo uma reverncia.  Mas h certos problemas que precisam ser resolvidos com a mxima urgncia.
Justin olhou-o preocupado. Cinco dias aps se tornar o nono duque de Thornborough ainda no tinham sido suficientes para que se acostumasse com seu novo status.
	Presumo que v me dizer que a situao financeira est cada vez mais difcil. J tenho conscincia disso.
	Embora vossa excelncia esteja bem informado sobre tudo, h... Bem... H certas coisas que o senhor desconhece.
Como se pressentisse o que viria a seguir, Justin indagou:
	Gavin abusou das despesas particulares?
	Receio que sim, excelncia... Por volta de... Quase cem mil libras.
	Cem mil libras?! Como Gavin conseguia gastar tanto dinheiro?  Justin estava atnito.
Ao ver sua expresso, o sr. Burrell continuou:
	Foi uma infelicidade que a morte de seu irmo tenha ocorrido logo agora.
	Est querendo dizer que meu irmo contraiu a dvida, esperando casar-se com May Russell? Teria sido mais prudente esperar at que o enlace matrimonial acontecesse  Justin comentou amargo.
Teria sido mais prudente se Gavin tivesse permanecido no vago particular dos Thornborough. Em vez disso, no resistiu aos encantos de uma lady francesa e foram surpreendidos pelo marido desta ltima, um alto oficial do exrcito francs. O duque e sua nova conquista tiveram morte instantnea, assassinados a golpe de espadas pelo enciumado marido; o que gerou uma grande comoo popular bastante explorada pelos jornais ingleses e franceses.
Se Gavin tivesse permanecido em sua prpria cabine, teria escapado ileso.
Diabos, Gavin, por que voc deixou-se matar assim, to estupidamente?, Justin perguntava-se diversas vezes.
	Medidas drsticas devero ser tomadas para salvar a famlia da bancarrota. Poderia vender algumas terras...
 O advogado sugeriu trazendo-o de volta a realidade.
	No!  Depois de pensai" por alguns instantes, decidiu:  As terras pertencem  nossa famlia h vrias geraes e no deveriam ser vendidas para pagar dbitos frvolos.
Burrell concordou, como se j esperasse aquela resposta.
	A nica chance  o senhor fazer um casamento... Vantajoso.
	Me tornar um caa-fortunas, quer dizer?
	Isto j se tornou uma tradio familiar, excelncia  Burrell falou, demonstrando que aquilo at tinha um certo ar de dignidade.  O senhor tem um grande dote para oferecer  qualquer noiva: um dos nomes mais respeitados de toda a Inglaterra e o palcio mais bonito de toda Gr-Bretanha.
	Um palcio cujo teto est para cair  Justin retrucou.  No podemos sequer entrarmos em algumas alas. Pode ser que caia alguma viga ou o telhado desabe sobre nossas cabeas.
	Ento... Nesse caso... Quanto mais cedo se casar, melhor.  O advogado pigarreou antes de continuar:  Na realidade, a srta. Russell me procurou esta manh e me perguntou se o senhor no estaria interessado em se casar com ela.

	Casar com a noiva do meu irmo?!  Justin indagou, incrdulo. E lembrou de como a moa havia chegado cedo para os funerais de Gavin, a maneira como chorara. Ela era uma mulher muito bonita, apesar de ter o rosto encoberto por um vu negro. Talvez se tivesse prestado mais ateno, veria que ela no estava assim to triste com a morte de Gavin.   difcil acreditar que iria to longe, s para se tornar uma duquesa.
	A senhorita disse que nutre uma certa simpatia pelo senhor.
	A srta. Russell tem uma pssima memria  Justin falou, ainda ressentido, pois fora ela quem o chamara pela primeira vez de Gargoyle. At Gavin tinha rido daquilo.
	Ela tem uma imensa fortuna pessoal  o advogado lembrou-o.  Mas acho que est certo. Seria uma coisa insensata casar-se com a noiva de seu irmo. Tem alguma outra pretendente?
	No. Durante os ltimos anos estive muito ocupado para procurar uma noiva.  Justin voltou a olhar pela janela. Burrell estava certo; o casamento era a nica soluo plausvel. Ele no seria o primeiro e nem o ltimo, a se casar por dinheiro.
Mesmo sendo o irmo mais jovem, Justin no teria problemas em encontrar uma esposa, porque ele era um Aubrey, no possua grandes vcios e suas terras eram cobiadas por muitos. Apesar de Gavin ter dilapidado a maior parte do patrimnio da famlia com as mulheres inglesas, americanas, francesas... Nenhuma delas havia despertado o interesse de Justin. Exceto...
Ele fechou os olhos e a lembrana que insistia em apagar de sua memria, voltou com mais intensidade: uma dia lindo quando encontrou uma jovem alta, elegante e graciosa com um sorriso nos lbios de fazer qualquer um se apaixonar  primeira vista.
Apesar de Justin ter lutado com todas as foras para esquecer, no podia negar que tinha sido um privilgio conhecer Sarah Vangelder. Sua passagem triunfante pela sociedade londrina ficara registrada em todos os jornais, com exceo do Morning Post, que no mencionara sua apresentao na corte, a apario gloriosa no baile ou que tinha sido vista cavalgando em Rotten Row. Ouviu vrios rumores que muitos homens haviam pedido sua mo em casamento e at mesmo ele tinha ficado tentado a fazer o mesmo na poca. Emitiu um longo suspiro. Era um absurdo pensar que uma jovem como Sarah Vangelder iria desposar uma pessoa to... To inexpressiva quanto ele. Por outro lado, seu falecido irmo, Gavin, havia dito que era uma rica herdeira na Amrica, o que significava que ela era o que precisava.
E Justin tambm ouvira dizer que a me de Sarah queria que ela se tornasse uma duquesa.
 Sr. Burrell, sabe se a srta. Vangelder j se casou ou tem algum pretendente  vista?
	Quer se casar com a... Garota Dourada1?  Burrell indagou, surpreso.  Despos-la seria o mesmo que ganhar um trofeu, apesar de ser muito, muito difcil. H centenas de ricos herdeiros em San Francisco que seriam melhores pretendentes. Conheci o pai dela... Talvez...
	Eu quero a srta. Vangelder.  Justin interrompeu o advogado.  Eu a encontrei uma vez e achei-a... Bem, muito simptica.
Depois de uma longa pausa, Burrell disse, ainda em dvida.
	 claro. O senhor  o duque de Thornborough agora. Talvez isso possa ser arranjado.
Justin sorriu, olhando em direo ao jardim.
	Como deve ser arranjado, sr. Burrell? No tenho prtica disso.
	Vou visitai" lady Westron. Ela  a madrinha da jovem Vangelder, voc sabe. Se ela achar que a ideia  boa, escrever  Augusta Vangelder, me da garota.
	Muito bem... V procurar lady Westron, antes que o telhado desabe.
	H uma coisa que deve considerar antes de qualquer deciso, senhor. Com certeza h mais herdeiros americanos do que britnicos e eles costumam ser muito... educados. Mas o que h de verdade por trs desses casamentos  que as famlias fazem... Bem... Alguns contratos... Se  que me entende...
	No quero me casar com para depois pedir o divrcio, sr. Burrell!
	 claro que no  o advogado respondeu. Depois de juntar os papis que espalhara sobre a escrivaninha, acrescentou:  Se me permite dizer, o senhor  bem diferente de seu irmo.
	Fique  vontade para dizer o que quiser  Justin sorriu para o advogado.
Apesar de concordar que uma esposa rica seria uma tima soluo, a possibilidade de vir a se casar com Sarah Vangelder deixou-o ao mesmo tempo, apreensivo e excitado. Se ela viesse morar em Swindon, todos os dias seriam ensolarados.

Newport, Rhode Island

Com a respirao ofegante depois de andar de bicicleta durante toda a manh, Sunny despediu-se dos amigos e subiu correndo as escadas da residncia de vero dos Vangelder.
A atmosfera era mais informal do que em Nova York e disso ela gostava. Sempre esperava ansiosa por aquelas semanas passadas em Newport.
E aquele vero, especial, parecia ser o melhor de todos, porque o charmoso sr. Paul Curzon estava visitando os Astor.
Ele chegara a Newport trs semana antes e, quando haviam danado uma valsa no baile na manso dos Astor, ele lhe confidenciara que havia ido at a Amrica s para rev-la.
Sunny mal conseguia respirar direito enquanto danavam, pois pensara em Paul Curzon desde o primeiro encontro na Inglaterra, no Palcio de Swindon. Haviam fler-tado discretamente durante sua permanncia e Sunny sentira que havia algo muito profundo entre os dois... No. Com certeza, s da parte dela, pois quando partira, Curzon nem sequer se declarara, pedira sua mo.
Logo que haviam terminado de danar, Paul explicara que no conversara com ela antes, pois ficara com receio de no ser considerado um pretendente  sua altura.
Mas depois de vrias semanas, ele tinha decidido ir at os Estados Unidos da Amrica e declarar seu amor e quase sem conseguir respirar, ela confessara que sentia o mesmo por ele.
A partir daquela noite, ela tinha comeado a viver um conto de fadas.
Toda manh, Sunny se levantava sabendo que iria encontrar-se com Paul. Em Newport era comum um baile a cada dia e, com certeza iriam ficar juntos, danar, sentar lado a lado durante o jantar...
Apesar de ambos se comportarem em pblico, em raros momentos de magia, quando tinham privacidade, Paul a beijava com paixo, fazendo com que Sunny sentisse que iria desmaiar.
 noite, quando se deitava, ela lembrava-se dos beijos trocados e respirava fundo, sentindo um frio no estmago.
A corte de Paul havia culminado certa manh, quando ambos saram para andar de bicicleta pelos arredores de Newport. Ele declarara seu amor e a pedira em casamento. Feliz com o pedido, ela aceitou, sem pensar em mais nada.
Assim que Sunny entrou no vestbulo em mrmore da manso dos Vangelder, tentou controlar-se, pois sabia que estava se comportando como uma mulher sem modos. Entretanto, era muito difcil manter seu amor em segredo, mas ela tinha de conseguir, pelo menos at a manh do dia seguinte, quando Paul iria conversar com sua me.
No esperava que concordasse de imediato. Contudo, Sunny tinha certeza de que no fim, ela acabaria aceitando, pois Paul vinha de uma famlia muito respeitada e tinha uma carreira promissora pela frente.
	Est um lindo dia, Graves  Sunny tirou o chapu ao entrar.
	Sim, srta. Sarah.  Pegando o chapu, o criado acrescentou:  Sua me pediu-lhe que fosse v-la, assim que chegasse. Acredito que esteja na salo privativo.
Aquilo parecia muito estranho. Por isso, Sunny subiu correndo as escadas, antevendo o desastre que estava por vir. Bateu na porta e esperou que a me respondesse.
	Pode entrar.
Quando entrou, Augusta olhou para a filha com ar triunfante.
	Tenho notcias maravilhosas, Sarah! Admito que fiquei tentada pelos vrios pedidos de casamento que recebi, mas estava certa ao esperar.  Depois de uma pausa, prosseguiu:  Voc, minha querida, vai se tornar a duquesa de Thornborough.
O choque foi to grande que Sunny no conseguia respirar direito.
	Que diabos voc est falando, mame?
	Por favor, Sunny, tenha modos! Voc vai se casar com Thornborough,  claro! A me respondeu, irritada.
 Nos ltimos dias, tenho mantido contato com a Inglaterra. Os pontos principais j foram discutidos e Thornborough est a caminho de Newport para fazer o pedido formal.
	Mas pensei que o duque de Thornborough fosse se casar com May Russell!
	Esse era o Gavin, o oitavo duque. O coitado morreu num duelo horrvel h alguns meses atrs... Dois dias antes de seu casamento com May.  Augusta sorriu maliciosa.  Tenho certeza de que May tentou se casar com o nono duque, mas graas a Deus, ele tem o gosto
melhor do que o irmo.
Sentindo-se derrotada, Sunny deixou-se largar numa cadeira de espaldar alta, ali perto.
	Como posso me casar com um homem que nem sequer conheo?
	Katie Westron disse que voc o conhece, sim. Na verdade, passou algum tempo em sua companhia, olhando os jardins de Swindon, lembra-se. Ele  lorde Justin Au-brey, o irmo mais novo do duque que morreu.
Naquele mesmo dia, Sunny conhecera Paul Curzon. Alm daquela festa, havia comparecido em mais algumas dezenas delas. Tentou recordar-se daquele fato. Os jardins eram divinos e lembrou-se de ter sido acompanhada por algum. Teria sido lorde Justin? Sunny acreditava que sim, apesar de no conseguir lembrar de mais nada exceto que ele alto, de cabelos negros e tmido. Porm, no importava como era, porque no iria se casar com algum que s vira uma vez!
	No posso me casar com Thornborough, porque estou apaixonada por Paul Curzon!
Houve um instante de silncio. E ento sua me explodiu:
	Pensei que j tivesse colocado um ponto final nisso! Afinal, no passava de um simples flerte. No acredito que queira cometer a loucura de se casar com esse homem! Espero que tenha tido a decncia de no comentar com ningum sobre esse relacionamento!
	Paul me pediu em casamento esta manh...  Sunny balanou a cabea.
	Eu lhe enviarei um bilhete pedindo para que nunca mais a procure de novo. Isto colocar um fim nesta loucura.  Augusta apertou o brao da cadeira com toda a fora que possua.  Thornborough estar aqui em nove dias. Vou planejar um baile em sua homenagem uma semana depois e ns poderemos anunciar o noivado, ento. O casamento pode ser em outubro. Acho que temos tempo suficiente para fazer os devidos arranjos.
Sabendo que precisaria lutar para defender sua vida, Sunny balbuciou:
	Voc poderia interromper a viagem de... Thornbo rough, mame. Paul Curzon e eu nos amamos...
Aquela era a primeira vez que desafiava uma ordem da me e sabia que a reao dela seria uma surpresa.
	Voc  uma Vangelder, querida! Passei os ltimos anos de minha vida treinando-a para que fosse uma duquesa. No vou permitir nunca que despose um homem intil, que tem fama de caa-fortunas!
	Paul no  um caa-fortunas! Disse que se voc se recusar a dar sua permisso, ns poderemos viver com o que ele tem.  Sunny argumentou, sentindo as lgrimas rolarem.  E ele no  um intil, tampouco!  um aristocrata britnico, o que sempre desejou para mim... Tem um grande futuro como poltico. Recebeu o ttulo de Ministro e disse que, comigo a seu lado, logo estar no Gabinete.
	Seu dinheiro, com certeza, vai ajudar na carreira dele  Augusta ironizou.  Mas ele vai precisar encontrar uma outra herdeira rica, porque nunca darei meu consentimento!
	No preciso de seu consentimento! J sou maior de idade e posso me casar com quem bem entender! E eu farei isso!
	Como ousa falar com sua me dessa maneira?  Augusta indagou, aproximando-se ameaadora. Pegou-a pelo brao e arrastou-a at o quarto.  Se acha que pode fazer da sua vida o que bem entender, vai ficar aqui trancada, recebendo s po e gua, at mudar de ideia!
Assim que ouvia a me trancando a porta por fora, Sunny jogou-se desesperada na cama. Precisava ver Paul. Ele saberia o que deveria ser feito. Tentou controlar seu desespero e comeou a pensar em como contat-lo.
O quarto dela era no andar de cima e possua uma varanda. Seu irmo, Charles, a ensinara certa vez, a subir pelo gradil e andar no telhado. Caminhando com todo o cuidado pelo beiral, acabaria saindo na parte de trs damanso e dali desceria pelo gradil da varanda da biblioteca e de l, pularia no cho.
Paul estava hospedado em Windfall, cerca de alguns quilmetros dali. Ser que ainda estaria l? Sim, ele mencionara que os Astor iriam dar um jantar em sua homenagem. Ela poderia esperar at que sua me se recolhesse para dormir, ento escaparia at Windfall. Com um vu cobrindo-lhe o rosto, ningum poderia reconhec-la, mesmo se a vissem. Depois de algum tempo, logo estaria l. Quando chegasse, entraria pelos fundos e pediria a Max, o cocheiro, que avisasse Paul de que precisava falar com ele. Max a conhecia desde menina e, com certeza, no se recusaria a deix-los uns minutos a ss.
Depois que estivesse nos braos de Paul, tudo estaria resolvido.
Sunny chegou a Windfall por volta das dez horas da noite e rezou para que Paul recebesse logo o recado que mandara atravs do cocheiro, vindo o mais rpido possvel.
Mas o que aconteceria se Max a trasse e conversasse com o sr. Astor, antes? u se o sr. Astor suspeitasse que alguma coisa estava estranha e resolvesse investigar?
A porta da carruagem abriu e ela se encolheu num Canto, pronta para sair correndo. Ento, com um suspiro de alvio, reconheceu Paul, num elegante traje de gala.
Sunny abraou-o desesperada.
 Querida, no deveria arriscar sua reputao assim! Mas  maravilhoso v-la aqui!
Aquela era a primeira vez que se viam completamente a ss, e o beijo que trocaram foi diferente de todos os outros.
Ela no iria conseguir desistir daquele amor. Nunca. Lembrando-se da razo de sua visita, Sunny afastou-o relutante.
	Oh, Paul, aconteceu uma coisa terrvel! Hoje minha me disse que me arranjou um casamento no sei com quem. Eu contei-lhe sobre nosso amor, mas ela no me ouviu. Trancou-me no quarto e jurou que eu ficarei l at que mude de ideia. Passarei a po e gua!
	Como ela ousa trat-la dessa maneira? Paul exclamou.  No vou permitir isso!
	Eu me recusei a concordar com o arranjo,  claro, mas foi to difcil... Eu... Eu acho que devamos fugir... Esta noite!
	Agora?  ele indagou, assustado.  Mas no  isso que eu quero para voc, minha querida. Voc merece o casamento mais lindo do sculo, no um furtivo e proibido romance!
	E qual o problema?  Sunny indagou, impaciente.
 Estou tentando fazer as coisas certas, mas mame no vai mudar de ideia.
	Com quem ela quer que voc se case?  Paul. perguntou, abraando-a.
	Com o novo duque de Thomborough, Justin Aubrey. O irmo dele, Gavin, morreu h pouco tempo e Justin precisa de uma esposa rica.
Antes que pudesse dizer mais alguma coisa, Paul interrompeu-a:
	O duque de Thomborough? Voc se tornar uma das pessoas mais influentes de toda a Inglaterra!
	E a mais infeliz  Sunny retrucou, sentindo as lgrimas descerem por seu rosto.  Preciso ficar com voc, Paul.
	Ns podemos resolver isso. Sua me rejeitou de verdade a hiptese de eu ser um pretendente  sua mo?
	Ela disse que no me casarei com ningum mais, alm do duque!  Sunny afastou-se de Paul, levantando os omhros.  Ttulos! No fao a menor questo. O que importa  que o homem seja um cavalheiro e ningum  mais do que voc, Paul!
Houve uma longa pausa. Ento Paul falou, com voz grave:
	Sunny, no posso casar com voc contra o desejo de sua me.
	Mame no tem o direito de escolher um marido para mim!  Sunny choramingou.  Eu fao isso e j escolhi voc!
	Se fosse assim to simples... Mas no , querida. Voc no  s meu amor secreto, mas um tesouro na cional... Uma das princesas da Amrica. Que direito tenho eu de tir-la de um futuro cheio de glria?
Sunny olhou-o, pensando que o que acabara de ouvir no podia ser verdadeiro.
	Est... Querendo dizer... Que no quer se casar comigo?
	 claro que sim, mas  impossvel. Se voc se casar comigo, vai ser deserdada pela sua famlia. No quero ser o responsvel por isso! E o escndalo pode influenciar minha carreira e no serei indicado para o Gabinete.
	 isso que  mais importante para voc? Sua carreira?
	Claro que no!  Paul puxou-a para mais perto. A coisa mais importante  nosso amor e sua me no pode impedir isso. Depois que voc der um herdeiro a Thornborough, ns estaremos livres para nos amarmos como desejamos.
Sunny ficou petrificada. No queria acreditar no que acabara de ouvir.
	Eu tambm no quero esperar  Paul continuou.
	Se formos bem discretos, podemos estar juntos assim que voc voltar da lua de mel. Acredite em mim, querida. No h nada que eu deseje mais na vida! Precisaremos ser cautelosos,  claro... No queremos correr o risco de que um bastardo estrague tudo.  Paul fez uma pequena pausa. Depois, acrescentou:  Se Gargoyle no for capaz de cumprir com... Sua obrigao, ficarei feliz em poder ajud-lo. Eu me pareo mais com um Aubrey do que ele.
	Em outras palavras, eu o fao Ministro do Gabinete, e minha recompensa  um adultrio no fim da tarde Sunny disse, contrariada.  No, obrigada, sr. Curzon.
Sabendo que acabaria chorando, ela desceu da carruagem e caminhou resoluta sem um destino certo. Paul seguiu-a e segurou-a pelos ombros.
	No olhe por esse lado, querida. Prometo que isso vai funcionar. Ns poderemos dividir as delcias do amor, sem nenhum medo das consequncias...
Paul virou-a e fez com que o encarasse. Ele ainda era o homem bonito que sempre tinha sido. Seus cabelos brilhavam com o reflexo da lua e seus olhos azuis pareciam transmitir sinceridade. Sunny deu um longo suspiro. Como pudera ser to tola?
	Confie em mim, querida. - Paul puxou-a para si, a fim de beij-la.
Sunny desferiu-lhe um violento tapa, como nunca esperara pudesse fazer.
	Voc est certo quando afirma que tudo dar certo!
Pois acabo de descobrir que no passa de ura grande canalha!  desabafou, com voz trmula.  Espero nunca mais v-lo de novo, apesar de saber que  impossvel ter tanta sorte. Adeus, sr. Curzon, e boa viagem de volta.
Paul ficou olhando para Sunny, com a mo no rosto. Sentia o sangue ferver em suas veias.
Quando Sunny retornou  carruagem e se viu longe da manso dos Astor, ordenou a Max que corresse, a fim de chegar o mais rpido possvel em casa. Seu corao parecia estar partido em mil pedaos.
Paul... Ela estivera o tempo todo errada a seu respeito. Oh, ele desejava seu corpo e a herana de sua famlia, alm da influncia que ela poderia exercer sobre sua carreira. No a amava. Nunca sentira amor por ela. Tambm, to jovem, como podia saber das armadilhas desse sentimento que tornava as pessoas cegas e incautas. Talvez esse amor que procurara em Paul no passasse de mera fantasia de uma garota romntica.
Sentindo o corao angustiado ela verteu as lgrimas mais amargas de toda sua vida. 
Na manh seguinte, quando a criada entrou em seu quarto, carregando a bandeja com seu desjejum, Sunny notou que as nicos alimentos que existiam sobre ela eram um pedao de po e uma jarra com gua.
Com um suspiro profundo e resignada, Sunny pediu que a criada dissesse  sua me que havia mudado de ideia e que aceitaria o pedido de casamento do duque de Thornborough.

CAPITULO III

Justin gostava da agitao de Nova York e de ver a pressa com que os norte-americanos caminhavam pelas ruas. Apesar de o continente ser conhecido por sua igualdade de direitos e responsabilidades, Justin distinguiu vrios mendigos, espalhados pelas ruas, que estendiam as mos quando algum passava perto deles.
Augusta Vangelder levou-o a um infindvel nmero de festas e recepes e s se referia a ele como meu querido duque. Justin odiava aqueles eventos e toda srie de absurdos da situao em si. Contudo, os hbitos daquela gente era o que menos importava para ele. O que, de fato, o interessava era Sunny Vangelder. Esperava que Sunny o recebesse com a mesma ateno e delicadeza com que agira em Swindon. Entretanto, parecia outra pessoa. O sorriso que ela lhe enviou foi mais parecido com o cumprimento de uma dama a um cavalheiro que nunca tinha visto antes.
Talvez a reao de Sunny se devesse ao fato da me estar sempre presente. Uma presena repressiva, disso Justin tinha certeza absoluta.
Mas em seu ntimo, Justin sentia que deveria haver algo mais srio. Em seu quinto dia em Newport, ele encontrou Sunny lendo na biblioteca, num dos raros momentos em que estavam em casa.
Ela no o ouviu entrar e continuou com sua ateno voltada para as pginas do livro.
A luz do sol entrava por uma fresta da janela, refletindo nos cabelos de Sunny. Aquela imagem fez com que o corao de Justin comeasse a bater mais apressado. Era hora de pedi-la, em casamento.
Imagens confusas vieram  cabea de Justin: ele, aos ps de Sunny, prometendo-lhe devoo eterna; Sunny abrindo os braos e dando-lhe aquele sorriso maravilhoso que tinha feito com que se sentisse o nico homem do mundo; e o beijo que os uniria para sempre.
	Eu... Srta. Vangelder... Sunny... H uma coisa que preciso pedir-lhe. Creio que j sabe do que se trata...  Justin balbuciou, sem conseguir encar-la.
Talvez Sunny soubesse que estava ali, pois no houve a menor surpresa em seu rosto, quando levantou os olhos do livro.
	Toda Newport sabe  ela disse, sem nenhuma emoo.
Sunny no vai facilitar as coisas para mim, Justin pensou, sentindo um tremor.
	Sunny... Eu... Bem... Meu corao bateu mais forte por voc, desde o primeiro momento em que a vi... L em Swindon. No h...
Sunny fez-lhe um sinal com a mo, impedindo-o de continuar.
	No precisa perder seu precioso tempo com palavras bonitas, duque. Ns estamos aqui para fazer um... Negcio, no  mesmo? Voc precisa de dinheiro e de uma esposa que saiba o que fazer com todos os talheres e copos colocados  mesa, durante um jantar. Eu preciso de um marido que coloque ninha me em projeo social. Por isso, faa logo seu pedido, para que eu possa continuar com minha leitura.
Justin apoiou-se no brao de uma cadeira, sentindo uma pontada no estmago. Depois de respirar fundo:
	Ns estamos falando de casamento, no de negcio. A primeira obrigao de esposa de um homem nobre  dar-lhe um herdeiro -e seus conhecimentos de como se comportar  mesa... Acho que no sero de utilidade alguma.
	Ouvi dizer que conceber uma criana  uma das coisas mais indignas que uma mulher possa fazer. Mas a prpria rainha no disse  sua filha mais velha que uma mulher s precisa saber mentir... E pensar no futuro da Inglaterra?  Sunny mordeu o lbio inferior, antes de acrescentar:  Acho que serei capaz de me sair bem nisso. A maioria das mulheres consegue.
Sem pensar nas consequncias, Justin gritou:
	No haver nenhum pedido, srta. Vangelder, porque eu no vou fazer nenhum sacrifcio por ns dois, casando com uma mulher que me despreza!
Sunny ficou surpresa com o tom da voz de Justin e, pela primeira vez desde que tinha chegado  Newport, ela olhou-o com alguma curiosidade, pois parecia chocado com o que acabara de ouvir.
Depois de um momento, Sunny largou o livro e, num gesto nervoso, massageou as tmporas.
	Eu... Sinto muito, senhor. No quis dizer que o desprezo. Sofri uma desiluso muito grande e receio que esteja um pouco alterada. Mesmo assim, isso no justifica a maneira rude com que me dirigi  sua pessoa. Por favor, queira me perdoar.
Justin tinha certeza absoluta que s uma decepo amorosa seria capaz de fazer uma mulher mudar tanto. Ouvira dizer que Paul Curzon tinha estado em Newport at a semana anterior. Ser que Sunny tinha se apaixonado por aquele homem que tinha tantas amantes quanto o Prncipe de Gales?
Ao se lembrar da maneira como Sunny o olhara em Swindon, Justin teve certeza de que s podia se tratar de Paul Curzon.
Deveria ter desconfiado que Sunny no havia concordado com aquele casamento. Era Augusta que tinha tido a ideia de transformar a filha numa duquesa.
	Voc est perdoada, mas mesmo que no me despreze, est mais do que evidente que no concorda com isso.  Justin fez uma pequena pausa, despois continuou:  No quero uma esposa infeliz. Portanto, se houver um outro homem com o qual queira se casar, eu retiro meu pedido.
Sunny fechou o livro e continuou a segur-lo de encontro ao peito.
	No h ningum. Acho que devo me casar e voc parece ser um homem de carter.
Justin olhou-a com ateno. Seu rosto era delicado e, apesar do sofrimento estampado nele, pde perceber que Sunny falava srio.
	Talvez voc seja o melhor dentre todos eles  ela acrescentou.  Pelo menos,  honesto com relao ao que quer.
	Muito bem  Justin assentiu.  Ficarei honrado e satisfeito se consentir em se tornar minha esposa.
	A honra  minha, senhor.  Sunny respondeu, com a mesma formalidade.
Se aquele fosse um noivado normal, ele a beijaria logo aps o pedido, mas a expresso de Sunny era de total indiferena.
	Meu nome  Justin. Ser muito agradvel se me chamar assim.
	Muito bem... Justin.
Um pesado silncio caiu sobre eles e Justin ficou pensando em como seria maravilhoso se tudo fosse diferente.
	Bem... Ser que deveramos ir at sua me e contar-lhe as novidades?
	Voc no precisa de mim para isso. Sei que ela espera que nos casemos o mais rpido possvel... Talvez outubro. A nica coisa que tem a fazer  dizer-lhe o que acha mais conveniente.  Massageando as tmporas, Sunny levantou-se.  Se me der licena... Estou sentindo uma terrvel dor de cabea.
	Espero que melhore logo.
	Tenho certeza que sim.
Ao se lembrar de que havia acabado de prometer-lhe sua vida e sua fortuna, Sunny forou um sorriso.
	Espero no estar sendo precipitado  Justin murmurou, ao v-la saindo.  Mas meu irmo deixou nossos negcios em completa desorganizao. Por isso, deverei retornar a Londres no dia seguinte ao baile que sua me estar oferecendo. Receio no poder estar aqui, seno uns dois ou trs dias antes do casamento...
	No h nenhuma necessidade de romantismo entre ns.  Sunny sorriu.   at melhor que no esteja por aqui, porque haver um certo sensacionalismo em torno desse casamento que, com certeza, ser rotulado como O casamento do sculo e haver um sem nmero de histrias sobre voc e eu, seus nobres ancestrais e minha fortuna, minhas aparies pblicas... E o que os reprteres no souberem, com certeza, inventaro.
Justin arqueou a sobrancelha.
	Voc est certa. Ser melhor se eu estiver do outro lado do Atlntico.
Justin abriu a porta para Sunny e quando ela passou por ele, num impulso, tocou-lhe o brao.
Prometo que farei o melhor que puder, para me tornar uma duquesa digna de orgulho.
Ele inclinou a cabea.
	Tenho certeza de que obter xito.
Assim que Sunny subiu as escadas em direo ao seu quarto, chegou  concluso de que Justin era um homem atraente.
. Ele era alto, cabelos e olhos negros e a nobreza britnica podia ser percebida pela maneira como andava e gesticulava ao falar. Seus traos tambm denunciavam que pertencia a mais alta estirpe da Inglaterra e suas feies podiam ser consideradas perfeitas.
Os pensamentos ecoavam na cabea de Sunny e, assim que entrou em seu quarto e se jogou na cama, lembrou de que havia tido os mesmos pensamentos quando o vira pela primeira vez em no Palcio de Swindon.
A lembrana fez com que Sunny sentisse um estremecimento e, aos poucos, fragmentos daqueles momentos passados ao lado daquele homem que em breve seria seu marido, vieram-lhe  memria.
Lorde Justin tinha sido perfeito cavalheiro, ao permitir que percorresse os jardins do palcio e at tinha demonstrado ser possuidor de um excelente bom humor. E, mesmo assim, ainda era um completo estranho, pois Sunny no sabia nada do que ia em seu corao ou dos seus verdadeiros sentimentos. Parecia que tinha a obrigao fazer um bom casamento e era o que estava fazendo: escolhendo a esposa, usando seu lado racional e no o emocional.
Sunny abriu os olhos. Talvez aquele casamento no fosse to mal assim, pensou. Ouvira dizer que os casamentos arranjados costumavam ser, na maioria das vezes, bem sucedidos, tanto quanto os que aconteciam por amor.
Ela e o duque iriam se tratar com todo o respeito e no esperava paixo ou romance.
Com as bnos de Deus, teriam filhos e, por essa ocasio, poderiam at estar apaixonados um pelo outro.
O duque tinha uma grande vantagem: era completa-mente diferente de Paul Curzon, que havia se mostrado charmoso e... Falso!
Antoinette, a criada, fazia os ltimos ajustes no vestido de baile de Sunny.
	Voc parece estranha, mademoiselie. Monsieur com certeza deve estar ansioso.
Sunny virou-se para mirar-se outra vez no espelho.
Seu vestido creme estava fantstico, com bordados em pedrarias ao redor do decote pronunciado, que deixava seus ombros  mostra.
Aps prender os cabelos com fivelas, Antoinette enfeitara-os com florzinhas coloridas, dando-lhe um ar primaveril.
	Muito obrigada, Antoinette. Voc  maravilhosa!
A criada sorriu-lhe em retribuio ao elogio, antes de sair.
Sunny olhou para o relgio de cabeceira. Ainda faltavam quinze minutos para que descesse e fizesse sua entrada triunfal no baile que sua me estava oferecendo para toda a sociedade de Newport, onde seria anunciado o noivado de Sarah Vangelder e o duque Thornborough.
A casa, repleta de convidados e todos, com certeza, estavam ansiosos para ver como Sunny e o duque se comportavam.
Antoinette, sempre bem-informada, havia contado todos os rumores que circulavam pela cidade. Comentava-se que Sunny chegara a recusar o pedido de casamento do duque, porque ele tinha um estilo de vida pouco recomendvel e que Augusta a obrigara a aceitar.
Mesmo que houvesse um fundo de verdade em tudo aquilo, Sunny achou o comentrio de extremo mau gosto.
Sunny olhou-se mais uma vez no espelho e treinou um sorriso. A porta se abriu e uma voz melodiosa soou:
	Como est minha afilhada preferida?
	Tia Katie!  Sunny exclamou, feliz por ver a madrinha.  No sabia que viria para o baile!
	Eu pedi para que Augusta no comentasse nada, pois nem eu mesma sabia se daria para chegar a tempo.
 Rindo, lady Westron abraou a afilhada.  Nunca aperte um Worth dessa maneira, querida, a menos que o baile j tenha terminado.  Depois de beijar Sunny, lady Westron continuou:  Mesmo usando esse vestido de um costureiro famoso no consigo nem chegar aos ps de tanta beleza! Toda Newport morrer de inveja e Thornborough vai agradecer pela sorte que est tendo.
	Eu e ele fizemos... Uma espcie de... Acordo.
	E no est feliz com esse... acordo?  Lady Westron perguntou, dando uma piscadela.
	Vamos conseguir tolerar a presena do outro Sunny respondeu, sentindo os olhos midos.
	Fiz algumas perguntas sobre Thornborough, quando seu advogado me procurou para fazer o pedido  Lady Westron falou, sentando-se.  Ele ser um marido excelente, Sunny querida. Justin  muito respeitado por todos que o conhecem. No  to... Mulherengo como o irmo, mas pode ficar tranquila de que jamais ser incomodada por sua amante.
	Thornborough tem uma amante?  Sunny indagou, surpresa.
	Provavelmente... A maioria dos homens tem, no ? H muitas coisas que precisa saber sobre o estilo de vida e os maridos ingleses. Morar na Inglaterra  como ser uma turista, voc sabe.
Sunny sentiu-se mais relaxada.
Apesar de saber que a vida social inglesa era diferente daquela a que estava acostumada, ela no tinha gostado de saber que Justin tinha uma amante. Comeou a colocar as luvas.
	Talvez seja melhor me explicar o que vou encontrar quando chegar  Inglaterra.
	Esteja preparada para o fato de que as grandes manses inglesas so muito frias. Esquea esses vestidos de cotados, de tecido fino, se quiser sobreviver ao inverno rigoroso. Deve levar muitos casacos e roupas quentes.
As manses no possuem nenhum sistema de aqueci mento, nem gua quente. E os banheiros?! Tomar banho em frente  lareira ser a melhor opo!
Surpresa e um pouco decepcionada, Sunny objetou:
	O Palcio de Swindon no  assim. Dizem que  a maior manso e a mais rica de toda Gr-Bretanha!
Lady Westron soltou um suspiro.
	Uma propriedade de mais de seiscentos anos... E que precisa de uma reforma urgente... Mas no reclame com Thornborough, pois os maridos ingleses, via de regra, no costumam ser to atenciosos com suas esposas, quanto os americanos so. J que ele no vai querer ouvi-la criticando sua casa, deve aprender a resolver seus problemas sozinha. Recomendo que leve sua prpria criada.
Assim poder contar com pelo menos uma pessoa dentre todos os empregados, que estar sempre a seu lado.
Sunny levantou a mo em sinal de protesto:
	Se disser uma palavra a mais, vou descer e cancelar o casamento!  Sunny no sabia se chorava ou ria.  Estou comeando a me perguntar que mulher se disporia a se casar com um nobre ingls, ainda mais se no estiver apaixonada.
	No quis aterroriz-la, querida. S quero ter certeza de que no ficar desiludida. Uma vez duquesa, poder ter uma vida social intensa, ao lado do marido, coisa que no aconteceria nos Estados Unidos, onde as esposas ficam restritas aos seus lares.
	Est arrependida por ter se casado com lorde Westron?
A tia e madrinha hesitou por um instante.
	Houve ocasies em que eu diria que sim, mas agora ns nos entendemos bem. Ele diz que sou muito importante para sua carreira poltica. Temos trs filhos maravilhosos e  tudo o que eu poderia desejar da vida.
Sunny balanou a cabea. Estava tudo muito confuso e sentiu-se aliviada quando algum bateu  porta.
	Sua me disse que j est na hora de descer, srta. Sarah  a criada recomendou.
	No se esquea do leque. Vai estar muito quente no salo de danas  Lady Westron aconselhou rpida, enquanto arrumava o vestido.  Estarei l embaixo, assim que me refresque um pouco.
Sunny pegou o leque, olhou-se pela ltima vez no espelho e saiu pelo corredor. No topo da escadaria que terminava dentro do salo onde o baile se realizava, parou por um segundo, respirou fundo e comeou a descer vagarosamente.
Ouvira dizer que andava com a graa e elegncia de uma rainha. Mas no podia ser diferente, afinal desde que era uma criana, lembrava-se de que precisava ficar sempre com as costas eretas, mesmo quando fazia lies, alm de andar pela casa equilibrando uma pilha de livros sobre a cabea, a fim de manter uma postura aristocrtica.
Quando terminou de descer, Sunny parou no ltimo degrau e notou que todos haviam se virado e a olhavam. A mais fina sociedade de Newport estava presente ao baile do duque e da futura duquesa de Thomborough.
Justin caminhava ao seu encontro, vestido a rigor. Ao se aproximar, tomou-lhe a mo beijando-a:
	Voc est mais bonita do que me lembrava.
Sunny olhou-o, em dvida se estava mesmo falando srio ou aquilo no passava de um mero galanteio obrigatrio.
Justin sorriu-lhe amvel.
Thomborough deveria fazer isso mais vezes, ela pensou.
Augusta Vangelder juntou-se a eles.
	Est maravilhosa, Sarah!  exclamou a me.
No instante seguinte, foram rodeados por vrias pessoas, principalmente aquelas que ainda no conheciam o duque.
Sunny j esperava que Justin se recolhesse a um canto, na companhia dos homens presentes, como seria o normal..
Mas, para sua surpresa, passou muito tempo a seu lado, apesar de terem trocado poucas palavras.
Logo a educao e cortesia dele eram comentadas em todas as rodas, at pelas mulheres mais conservadoras e teve de admitir que havia subestimado Justin Thomborough.
Quando Sunny olhou seu carto de danas, notou que Justin havia colocado seu nome em duas valsas, alm da dana principal. Aquilo era uma declarao de compromisso, pois nenhuma jovem concederia duas danas ao mesmo cavalheiro, a menos que estivesse comprometida com ele.
Quando a orquestra comeou a tocar a primeira valsa, Thornborough desculpou-se com as pessoas que estavam ao seu lado e tomou Sunny pela mo. Ela pegou o leque e acompanhou-o pelo salo.
	Vai ser um prazer danar. Sinto como se estivesse falando h mais de duas horas.
	 o preo que se paga por ser to popular, srta. Vangelder.  Justin falou, colocando-a na posio.
	Mas voc tambm  muito popular! Todos em Newport querem conhec-lo e conversar com voc!
	No  em mim que eles esto interessados, mas no duque de Thornborough.
Sunny no ficou surpresa ao ver que Justin danava muito bem. Ela sentiu-se relaxada e deixou-se levar pela magia da msica.
Lady Westron estava certa ao afirmar que estaria quente no salo de bailes, Sunny descobriu, ao sentir o suor em suas mos.
De vez em quando seus olhares se encontravam e ela sentia uma sensao desconfortante, devido  proximidade de ambos. Sunny queria entender o que se passava naqueles olhos negros, to encantadores.
Um ms antes, Sunny havia danado a valsa com Paul Curzon e ele lhe dissera que tinha ido at a Amrica por sua causa. A lembrana fez com que sua respirao se acelerasse e se no fosse por Justin a estar segurando, teria desmaiado.
	Sente-se bem?  indagou.  Est muito abafado aqui. Talvez prefira sair um pouco, para tomar ar...
Sunny esboou um sorriso.
	Estou bem... S um pouco tonta.  um absurdo que se possa danar s num sentido, quando se dana a valsa. Se pudssemos girar do lado contrrio, seria muito mais fcil.
A sociedade exige certos regras de conduta, que muitas vezes so absurdas  Justin observou.
Enquanto pensava no que acabara de ouvir, a valsa terminou e um outro cavalheiro que teria ter o prazer de danar com a futura duquesa de Thornborough tirou-a dos braos de Justin.
A noite transcorria tranquila e, quando o ltimo prato foi servido, o to esperado noivado foi anunciado.
Augusta estava radiante e todas as suas amigas sabiam que ela triunfara.
Sunny sentia-se exausta depois de receber os cumprimentos das pessoas que conhecera durante toda a vida.
Aquele era seu ltimo vero em Newport. Apesar de ter certeza de que voltaria sempre para visit-los, nunca mais seria o mesmo. O noivado com um estrangeiro j era o suficiente para deix-la afastada de todos os acontecimentos da Amrica.
A primeira parte de sua vida estava terminando e Sunny no tinha uma ideia clara de como a prxima fase seria.
J era tarde quando o ltimo convidado se retirou. Como seu noivo oficial, Thornborough tinha permisso de acompanhar Sunny at o quarto.
Quando chegaram  porta, ele comentou:
	Meu trem parte amanh, bem cedo. Por isso, acho melhor me despedir.
	Sinto muito que no possa descansar o suficiente para um viagem to cansativa.  Quase no se aguentando mais em p, Sunny despediu-se dele com um aceno:
 Tenha uma boa viagem, Justin.
Seus olhares se encontraram e Sunny no conseguiu desviar. Ele passou a mo pelo rosto de Sunny e puxou-a para mais perto, a fim de beij-la.
Como no esperasse aquela demonstrao de afeto, Sunny levou um susto ao perceber que os lbios de Justin eram mornos e delicados. Agradveis... Impossveis de serem negados.
Justin passou o brao pela cintura de Sunny, fazendo com que ela sentisse um frio percorrer-lhe a espinha.
Paul Curzon... A lembrana dos beijos trocados com ele, de repente, voltaram com toda fora  memria de Sunny. E, como se acordasse de um sonho, Sunny deu um passo para trs.
Justin soltou-a.
 Durma bem. Vejo-a em outubro.
Sunny abriu a porta do quarto, mas em vez de entrar, parou e voltou-se a fim de v-lo caminhar pelo corredor.
Apesar do calor da noite, um frio intenso tomou conta de seu ser e comeou a tremer descontrolada.
Seus sentimentos com relao  Justin estavam confusos, mas de uma coisa tinha certeza: seria desastroso se deixasse a lembrana de Paul Curzon ficar entre ela e o futuro marido.

CAPITULO IV

Cidade de Nova York Outubro de 1885
O Casamento do Sculo. Justin olhou para 'a manchete estampada na primeira pgina do jornal, assim que entrou em seu quarto no hotel. Ficou chocado com o que lia, pois afinal desembarcara em Nova York h menos de duas horas!
Abaixo da manchete sensacionalista sobre o casamento, algum havia feito uma caricatura dos noivos. Ser que sou to feio assim?, Justin indagou-se e sorriu amargo ao terminar de ler a matria.
Aquilo no era nem a metade do que Sunny havia previsto. Os americanos tinham uma preferncia por saber sobre a vida particular das pessoas. Havia at uma minuciosa descrio de como seria o vestido da noiva, bordado em dourado, tendo na cabea uma tiara cravejada de diamantes.
Com certeza, os detalhes deviam ter sido inventados, j que Sunny jamais discutiria detalhes dessa natureza com nenhum reprter.
O simples pensamento de que Sunny pudesse contar a algum como seria seu vestido, deixou Justin to perturbado que ele pegou o outro jornal.
Nesse, havia s o desenho de um casal no altar.
A noiva, to alta quanto o noivo, mostrava no rosto uma expresso de martrio, enquanto o noivo tinha metade da cabea decepada.
A histria que vinha logo abaixo insinuava que o duque de Thornborough era o mais vil dos homens e que tinha ido  Amrica desposar uma das flores mais belas e perfumadas da terra. Ao mesmo tempo, a matria revelava uma certa dose de orgulho, por ser uma americana a ostentar o ttulo de duquesa.
Os americanos no sabiam se aprovavam tal casamento ou condenavam-no, por se tratar de um claro sinal de decadncia da nobreza europeia.
Irritado, Justin jogou os jornais num canto e terminou de se vestir para o jantar que Augusta Vangelder estava oferecendo em sua honra. Depois, a papelada do casamento seria assinada.
Apesar disso significar que seus problemas estariam resolvidos, o que fazia seu corao bater mais acelerado era o fato de que aps trs longos meses veria Sunny de novo. E no s ver, mas tocar...
Depois de sua visita  Newport, ambos tinham mantido uma certa correspondncia e tinha apreciado os comentrios de Sunny referentes aos preparativos suntuosos nos quais a me estava envolvida. Se tivesse, em algum momento, expressado seus sentimentos, Justin tambm teria tido coragem de confessar os seus, pois seria muito mais fcil escrever falando de amor do que faz-lo em voz alta.
Contudo as cartas de Sunny tinham sido to impessoais que qualquer um poderia t-las lido. Justin havia respondido no mesmo tom, escrevendo sobre Swindon e relatando o que ela iria encontrar, quando chegasse  Inglaterra.
Justin tinha ficado indeciso se deveria escrever-lhe sobre as providncias que tomara mas, por fim, achou melhor fazer uma surpresa  Sunny.
Assim que terminou de colocar os sapatos, Justin olhou para o relgio e, nesse momento, ouviu o barulho da carruagem dos Vangelder que chegava para busc-lo. Com o corao acelerado, desceu correndo as escadas.
Assim que chegou  recepo, ouviu uma voz:
	Aqui est ele!
Mais de uma dzia de homens, reprteres, cercaram Justin, deixando-o ainda mais irritado.
Sem querer se deter por um segundo sequer, continuou andando, enquanto os reprteres acompanhavam seus passos.
	O que acha de Nova York, duque?  um deles gritou.
Depois de um instante de hesitao, Justin achou melhor dizer algo e no- ignor-los.
	 uma cidade esplndida.
	Algum de sua famlia est vindo para o casamento? Um outro perguntou.
- Isso foi impossvel.
	 verdade que o dote de Sunny  o maior entre todas as garotas americanas, para se casar com um duque ingls?
O som do nome de Sunny sendo pronunciado por aqueles lbios maldosos, fez com que Justin sentisse um certo alvio por no estar armado. Com certeza, teria descarregado sua pistola naquele infeliz.
	Se me derem licena... Tenho um compromisso ele disse, continuando a andar.
	Vai visitar Sunny?  Vrios reprteres perguntaram ao mesmo tempo.
Quando Justin no respondeu, um dos homens pegou-o pelo brao.
Esforando-se por manter a calma, Justin virou-se para o atrevido e, fuzilando-o com o olhar, falou:
	Como?
O homem deu um passo atrs.
	Desculpe, senhor. No quis ofend-lo.
Quando Justin chegou  porta, um outro reprter pulou  sua frente.
	Est apaixonado por Sunny ou est se casando com ela pelo dinheiro?
Tinha sido um erro responder qualquer pergunta, Justin percebeu, afinal. Aquilo s servira para encoraj-los a continuar a perseguio.
	Eu acho que nenhum de vocs est qualificado para entender as gentilezas de um cavalheiro  ponderou, com ironia na voz.  Jamais discuto meus problemas particulares, muito menos com a imprensa. Agora, tenham a bondade de sarem do meu caminho.
	Estamos perguntando o que todos os americanos esto curiosos para saber, Thorn.  O atrevimento da Imprensa podia ser constatado pela intimidade com que se dirigiam a ele. Um fato impensvel na Inglaterra.
Antes que Justin pudesse falar alguma coisa, vrios empregados do hotel apareceram para salv-lo da situao constrangedora.
	Pois quero que os americanos se danem!  Justin gritou.
Em menos de um minuto, todos os reprteres tinham sido colocados para fora, enquanto o gerente escoltava Justin at a carruagem, desculpando-se pelo ocorrido lamentvel e afirmando que aquilo no aconteceria mais.
	Espero que seja verdade. Se no, vou tratar de me mudar para um outro hotel mais tranquilo.
Justin entrou na carruagem, cuja porta o gerente segurava para ele e, sem dizer mais nada, deu ordem ao cocheiro para que seguisse. Quanto antes o casamento se realizasse e levasse sua esposa dali, melhor, pensou, soltando um suspiro.
Sunny estava esperando na sala principal da manso dos Vangelder. To logo vislumbrou Justin, esboou um sorriso que, se no podia ser classificado de brilhante, pelo menos era genuno.
	 to bom v-la de novo, Sunny!  Justin exclamou, pegando as mos dela.  Estava certa sobre a publicidade em torno do casamento. Receio ter sido um tanto brusco com alguns reprteres. Foi muito difcil para voc, tambm?
	Sim. Todos os empregados foram procurados pela imprensa para que descrevessem meu vestido de noiva.
	Todo bordado em dourado e uma tiara incrustada de diamantes?
	Voc j leu isso? Oh,  to vulgar!
Justin ia beij-la, quando a porta foi aberta e um rapaz loiro e alto, entrou. Com certeza,  um dos irmos de Sunny, Justin pensou.
	Sou Charlie Vangelder  o jovem apresentou-se.
 Desculpe por no ter ido encontr-lo em Newport, Thornborough, mas estava trabalhando na estrada de ferro
durante todo o vero. Preciso aprender como funciona, para quando titio se aposentar, voc sabe.
Sorrindo para o futuro cunhado, Justin cumprimentou-o.
Um momento depois, Augusta Vangelder tambm apareceu, sendo seguida por vrias pessoas. Aquela era uma oportunidade de todo o cl dos Vangelder conhecer o mais novo integrante da famlia.
O nico momento que Justin teve de sossego foi quando os advogados chegaram, trazendo todos os papis relativos ao contrato de casamento. Seu advogado tinha feito ura excelente negcio: no momento em que Justin desposasse Sunny, ele tomaria posse de cinco milhes de dlares, relativos s aes da estrada de ferro, alm de ter uma garantia mnima de duzentos mil dlares por ano. Ainda havia uma outra soma, no valor de um milho de dlares que Justin receberia, mais outro tanto para as despesas pessoais de Sunny, garantindo assim que nunca ficaria dependente do marido em nenhum centavo que fosse. Como um incentivo para que Justin se esforasse por manter a esposa feliz, as aes da estrada de ferro voltariam para a famlia Vangelder, se o casamento terminasse em divrcio.
Sem demonstrar a menor emoo, Justin assinou todos os papis que lhe eram estendidos, odiando cada minuto daquilo. Desejava que pudesse desposar Sunny sem levar um nico tosto da fortuna da famlia Vangelder, mas era impossvel; sem o dinheiro dela e seu ttulo, no haveria casamento nenhum.
Quando a filha entrou no salo de ch, Augusta Vangelder cumprimentou:
 Bom dia, Sarah. H uma carta para voc da Inglaterra.
Sunny tentou conter um gemido, enfiando apressada um pedao de pozinho de nozes na boca, que havia tirado de sobre a mesa. O jantar da noite anterior terminara de madrugada e Sunny mantivera o sorriso nos lbios durante tanto tempo, que chegava a sentir o maxilar dolorido.
Ela tinha desejado alguns minutos a ss com o futuro marido; queria dizer-lhe que tinha adorado receber suas cartas, mas no foram deixados sozinhos nem por um segundo sequer. Sentou-se e pegou o envelope que estava sobre a mesa.
	 de lady Alexandra Aubrey  disse, ao abrir.   a irm mais nova de Thornborough. Um carto me dando as boas vindas  famlia.
Sunny lembrou-se de que a madrinha lhe dissera que a irm de Justin tinha o apelido de Gargoylette. Ela mordeu o lbio inferior, ao esticar o postal para a me.
A garota deveria ser tmida e tinha por volta de de-zessete anos, mas era a nica que escrevera em nome da famlia Aubrey. Por isso, Sunny sentiu vontade de conhec-la.
	Voc s vai comer esses pezinhos?  Augusta indagou, num tom de voz que denotava reprovao.
	Depois do jantar de ontem, s tenho vontade de comer isso.  Sunny pegou outro e passou manteiga, curiosa para saber por que a me tinha marcado aquele desjejum em sua companhia.
Com a expresso determinada, Augusta abriu a boca, mas no segundo seguinte fechou-a, como se tivesse mudado de ideia sobre o que iria dizer.
	Olhe para o jornal dessa manh. Thornborough mostrou-se malcriado!
Obediente, Sunny pegou o jornal e deu uma rpida olhada na manchete: "Duque de Thornborough mandou que os americanos se danassem!".
	Oh...! Sunny murmurou, comeando a ler a matria.  Ele me disse que havia agido com uma certa rudeza com os reprteres. Com certeza, esta histria foi exagerada.
	Sem dvida, mas algum deveria falar com Thornborough e explicar-lhe que  um erro imperdovel demonstrar certas fraquezas em pblico.  Augusta deu o ltimo gole em seu caf.  Graas a Deus que ficou na Inglaterra at agora. Teria sido um completo desastre se ficasse por mais tempo nestas paragens.
	 um homem srio e gosta de manter sua vida particular longe de mexericos. Deve considerar essa publicidade vulgar e ofensiva.
	Uma pena que riqueza e poder atraiam tanto o interesse da populao.  Sunny serviu-se de caf, antes que a me recomeasse com seus infindveis sermes.
	Deve estar se perguntando o que desejo tanto conversar com voc, nesta manh  Augusta pegou o guardanapo de linho branco e limpou o canto da boca, com evidente constrangimento.  Isso vai ser difcil para ns duas, mas  obrigao de toda me explicar  filha como ser sua vida... De casada.
Sunny sorveu um gole no caf. Apesar de no querer discutir um assunto to embaraoso com a me, no havia como negar que aquelas informaes seriam teis. Como uma virgem pura e casta, sua ignorncia em relao  intimidade de um casamento era total.
Augusta explicou-lhe a anatomia fsica do homem e da mulher. Depois, comeou a falar o que todo marido fazia com a esposa.
	Mas...  um absurdo!  Sunny exclamou. Ela j tinha ouvido alguns comentrio sobre o que acontecia entre um homem e sua esposa na cama, e com certeza no podia ser aquilo que a me estava descrevendo!
	E  realmente um absurdo  Augusta concordou.

	 coisa de animal.  desconfortvel e, devo acrescentar, doloroso. Talvez algum dia, com o progresso da cincia, eles encontrem um maneira melhor, mais digna de fazer bebes, mas at l... As mulheres tm de sofrer.
	Augusta pegou um pedao de torrada e segurou-o nervosa entre os dedos.  s mulheres srias sentem repulsa pelo ato sexual. Os homens gostam. Se no, creio que no existiria mais esse tipo de coisa num casamento. Tudo o que uma mulher pode fazer  ficar quietinha, sem se mover, pois assim o homem ficar satisfeito rpido e a deixar sozinha.
Sunny sentiu uma pontada no estmago.
Teria seu pai feito a mesma coisa com a me to delicada? Ser que era nisso que Paul Curzon pensara enquanto a beijava? E, por Deus, deveria permitir que Justin tivesse aquele tipo de comportamento com ela? Sentia que todo seu corpo condenava aquela ideia.
Ao perceber a expresso da filha, Augusta acrescentou:
	Um cavalheiro jamais visita a cama da esposa mais que uma ou duas vezes por semana. Voc tambm tem o direito de recusar seu marido, quando estiver grvida e, pelo menos, durante os trs primeiros meses depois que o beb nascer. A noite passada eu conversei com o duque, depois que assinou os papis e lhe disse que voc  uma jovem inexperiente e virgem e que no permitirei que abuse de voc.
	Conversou com Thornborough sobre... Isso?  Sunny indagou, sentindo-se to humilhada, que seria capaz de se esconder debaixo da mesa, para nunca mais sair.
	Ele me olhou de um modo estranho. Depois, disse que entendia minha preocupao e que respeitar sua inocncia.  Augusta esboou um sorriso plido.  um cavalheiro.
Um turbilho de pensamentos passou na de Sunny. A cama de casal parecia-lhe revoltante, apesar de ter gostado dos beijos de Paul Curzon e de saber, agora, que os beijos eram um preldio para aquele absurdo.
	Todas as mulheres odeiam isso?  Sunny perguntou, baixinho.
	Gostaria de poder dizer-lhe que sim, todavia no h como negar que existem mulheres que so a vergonha de nosso sexo. Criaturas to baixas que revelam seus instintos animais na cama! Eu sei que voc no  assim, mas vai conhecer mulheres que so.  Levantando-se, Augusta concluiu:  No saberia como explicar-lhe melhor. Mas se demonstrar que sente prazer, seu marido perder todo o respeito por voc. Uma mulher que age como uma prostituta, ser tratada como tal. Tente manter sua dignidade, Sunny. Afinal,  tudo o que uma lady possui.
Com horror, Sunny lembrou-se de que quando Paul tentara tomar certas liberdades, ela o repudiara. Ser por isso que ele fizera aquela degradante sugesto; que mesmo se tornando uma duquesa, poderiam continuar a manter o relacionamento? Deixara-se envolver pelos beijos de Paul e os retribura com a mesma intensidade. Ser que estaria pensando que ela era um mulher vulgar?
Segundo sua me, uma mulher que se deixava levar por seu instinto animal, no merecia o menor respeito. Mas Justin Thornborough ia ser seu marido! Se ele no a respeitasse, o casamento se tornaria um inferno! Comeou a sentir nojo de tudo o que a me acabara de falar.
	Prometo lembrar de tudo o que disse, mame. E vou me esforar para agir da maneira correta.
	Tenho certeza de que no manchar a honra de sua famlia.  Augusta mordeu o lbio.  Oh, Sarah, vou sentir tanta falta de voc! Estar to longe de casa!
Sunny resistiu  tentao de dizer  me que deveria ter pensado naquilo antes de aceitar a proposta de casamento de um estrangeiro.
	Vou sentir falta de voc tambm, mame. Vai me visitar era Swindon, no?
Augusta balanou a cabea.
	Eventualmente sim, mas no logo em seguida ao casamento. No quero causar nenhum problema entre voc e seu marido. Casamento  um negcio difcil, e voc e ele precisam de tempo para se adaptarem um ao outro.
Naqueles momentos, Sunny amava a me profunda. Era certo que Augusta era uma mulher dominadora, na maior parte do tempo, mas seu amor pelos filhos era sincero. Ela era uma mulher de muita energia e, se tivesse uma ocupao, talvez no ficasse to preocupada com a vida da filha.
	Eu ficarei bem  Sunny falou, querendo demonstrar um otimismo que estava longe de sentir.  Thornborough  um cavalheiro... E eu sou uma lady. Tenho certeza de que seremos capazes de sustentar esse enlace para o bem de nossas famlias.

CAPTULO V

Sunny tentava ficar imvel, enquanto sua criada terminava de arrumar as vrias saias de seu vestido de noiva. Em seguida, Antoinette apareceu com a tiara de diamantes e, subindo numa cadeira, colocou-a com todo cuidado.
A jia era magnfica e de sua parte de trs, saa o vu com mais de dois metros de comprimento, que seria colocado por ltimo.
Augusta tinha tanta certeza de que Sunny se casaria com toda a pompa e pedira a Worth, o famoso costureiro londrino, que fizesse o vestido de casamento da filha, antes mesmo do nome de Thornborough ser cogitado como futuro marido. Quando o vestido foi arrumado, Antoinette colocou o vu, encaixando-o entre os cabelos de Sunny.
 No se preocupe, mademoiselle. Afinal, toda garota costuma ficar nervosa no dia de seu casamento. Monsieur, o duque,  um cavalheiro e tenho certeza que a far muito feliz.  Sunny sentiu um tremor percorrer-lhe o corpo. Em seguida, Antoinette estendeu-lhe um leno de seda, murmurando:  Madame Vangelder no deveria ter ido na frente para a igreja. Uma garota precisa da me nessas horas.
Nesse instante, algum bateu  porta. Antoinette foi atender e voltou com um embrulho nas mos.
	 para mademoiselle.
	Pode abrir, se quiser  Sunny respondeu.
	H um carto, mademoiselle  Antoinette murmurou, ao abrir o embrulho e encontrar um belssimo buque de orqudeas.
Os olhos de Sunny se arregalaram, ao ler o bilhete: "Estas flores so dos jardins de Swindon. Se as acha bonitas, talvez queira lev-las at o altar. Com carinho, Justin."
No conseguindo mais conter a emoo, Sunny. deixou-se cair numa cadeira, e as lgrimas rolaram pelo rosto.
	Oh, mademoisellel  Antoinette exclamou, sem entender.  Por que as orqudeas a fazem chorar? Elas so lindas!
	Sim, so.  Sunny balbuciou, esforando-se para se recompor.   que fiquei emocionada por Thornborough ter conseguido traz-las desde a Inglaterra.
Todos os detalhes de seu casamento, desde o vestido de noiva, a decorao da igreja e da suntuosa recepo que se seguiria, tinham sido escolhidos e planejados por Augusta Vangelder. At mesmo as oito damas de companhia, incluindo duas primas, uma Whitney, uma Jay e uma Astor, tinham sido selecionadas por Augusta.
Sunny no dera uma opinio sequer, num assunto em que era a principal interessada. E agora, Justin lhe dava a chance de poder escolher que buque levar!
	Devo ter estragado minha maquiagem  Sunny disse, depois de um momento.  Por favor, me traga gua gelada e um leno branco.  E, olhando para o buque que a me tambm havia escolhido, acrescentou:
 Pode guardar esse a. Vou entrar na igreja com as orqudeas que Thornborough me mandou.
	Mas...  Depois de pensar por um instante, Antoinette falou:  Sim, mademoiselle.  uma excelente escolha.
Logo que a criada saiu para pegar a gua gelada, Sunny se perguntou se Antoinette passara por tudo o que a me lhe contara com relao s obrigaes de uma esposa; se seu irmo, Charlie, tambm agia daquela maneira com suas namoradas; e at mesmo se a esposa do bispo anglicano j sofrera aqueles absurdos. E... Thornborough?
Antoinette logo retomou com uma jarra de gua e um lencinho de algodo e, pronta, comeou a limpar o rosto de Sunny dos vestgios das lgrimas.
- Deve se apressar, mademoiselle, ou chegar atrasada.
Depois de se olhar no espelho e ter seu vu e vestido arrumados de novo, Sunny falou:
 Eles que esperem.
A Quinta Avenida estava toda fechada e de ambos os lados uma fileira de policiais cuidava para que as milhares de pessoas que tinham ido at ali ficassem longe da carruagem que estaria passando dentro de mais alguns minutos.
O casamento seria realizado na Igreja Anglicana de St. Thomas e, apesar dos Vangelder no frequentarem aquela igreja, ela era a nica que possua espao para o coral de mais de setenta vozes que Augusta escolhera.
A nave da igreja estava toda decorada com flores brancas e rosas, tendo ao centro um tapete na mesma cor. O altar era em forma de arco.
Depois de passar pela Quinta Avenida e ser saudada pelas pessoas que a aguardavam desde as primeiras horas da manh, Sunny ainda teve de esperar mais vinte e cinco longos minutos, at que recebesse ordens para entrar.
Nesse tempo, mantinha uma das mos apertando com fora o buque de orqudeas e a outra o brao do irmo, Charlie.
 Vamos l, Sunny!  Charlie murmurou.  Vamos mostrar a toda essa gente que uma princesa americana sabe ser to linda quanto qualquer outra da Europa!
A marcha nupcial comeou e Sunny iniciou o longo caminho at o altar. Se no fosse pelo apoio de Charlie, ela teria desmaiado, assim que as portas se abriram.
Apesar de no conseguir ver os convidados com clareza, devido aos reflexos das luzes, Sunny percebeu que todos os bancos estavam ocupados.
Numa frao de segundos, ao avistar Justin no altar, Sunny teve conscincia de que durante aqueles meses, tinha passado com o futuro marido apenas dez dias e ficado sozinha com ele menos de uma hora! Por que estava se casando com um estranho?
A figura de Justin, elegantemente vestido, permanecia impassvel. Perto dele, estava seu amigo, lorde Ambridge, amigo de escola, que servia na embaixada britnica em Washington. To logo seus olhares se encontraram, Sunny percebeu que ele estava to nervoso quanto ela.
Meu atraso deve t-lo feito pensar que havia desistido, Sunny pensou.
Charlie beijou a irm na testa e entregou-a a Justin.
A expresso do rosto de Justin mudou e Sunny notou que ele estava aliviado.
Justin pegou-a pela mo, e o calor que emanou de seus dedos firmes e fortes foi a coisa mais real que Sunny experimentara naquele dia.
Ambos se viraram de frente para o bispo e a cerimnia mais esperada de todo o ano comeou.
A noite de npcias foi um desastre.
Tarde da noite, Justin descobriu que tinha sido um tolo por pensar que poderia ser diferente.
Chegara at a pensar que depois que se vissem sozinhos, seriam capazes de relaxar. Ser amigos.
Em vez disso, ao chegarem  sute do hotel onde ficariam hospedados, Justin percebeu que o rosto de Sunny estava plido de cansao.
Ele queria abra-la, mas conteve-se, pois ela parecia no estar pensando em mais nada que no fosse uma boa noite de descanso. Eles tinham a vida inteira pela frente e seria uma tolice apressar as coisas.
Justin aconselhou-a a tomar um banho demorado, o que foi aceito, sem contestaes.
Mais tarde, depois que a criada de quarto de Sunny deixara tudo arrumado e se retirara, Justin entrou no quarto e Sunny ainda estava acordada.
No fundo, Justin esperava encontr-la dormindo. Mas em vez disso, ela estava olhando pela janela, com o olhar perdido nas luzes de Nova York.
Os cabelos de Sunny estavam soltos e cobriam-lhe os ombros.
Ela  ainda mais bonita do que eu imaginava, ele concluiu, fitando-a com admirao.
Seu robe branco tinha um lao atrs e era bordado em dourado e creme. Pelo reflexo que vinha da janela, Justin viu-lhe o contorno do corpo escultural.
Deve ser mais uma criao de Worth. S um mestre conseguiria fazer com que uma mulher parecesse ao mesmo tempo pura e provocativa.
Sua esposa. Ele ainda no acreditava que Sunny era sua esposa. Justin tinha sido apresentado aos mistrios da paixo quando ainda tinha dezesseis anos. Decidindo que j era hora de seu irmo caula se transformar num homem, Gavin havia lhe apresentado uma cortes.
Com seu tradicional bom gosto, o irmo escolhera uma mulher linda. Lily era uma cortes francesa, que sabia o que fazer para que Justin no se sentisse envergonhado. E a vergonha de Justin tinha se acabado depois da primeira tarde passada com Lily. Com ela, descobrira no s a paixo, mas a gentileza e afeio.
Justin visitou-a ainda por muitas vezes durante os anos seguintes.
Quando a beleza comeou a deixar aquele rosto, Lily soube que era hora de parar. Justin comprou-lhe uma manso no sul da Frana e disse-lhe que fosse morar l. Ela concordou e, ocasionalmente, ainda trocavam correspondncia.
Por causa de Lily, ele agora era capaz de dar  sua esposa o presente da paixo. Rezando para que o desejo no o deixasse cego, Justin aproximou-se da esposa, sentindo o perfume delicado de violeta. Suas mos quase no resistiram  tentao de toc-la.
	Nova York possui uma beleza diferente de Londres ou Paris  ele disse, querendo quebrar o silncio constrangedor.
	Eu vou sentir saudade daqui  Sunny murmurou.
Justin percebeu que os olhos de Sunny estavam midos.
	Deve ser difcil deixar o lugar onde sempre morou. Mas poder vir aqui sempre que desejar.
	Sim.  Sunny deu um longo suspiro.  Mesmo assim,  muito duro saber que no sou mais americana.
Apesar de ter conscincia de que ao me casar com um estrangeiro significaria perder minha prpria nacionalidade, eu no pensei que fosse sofrer tanto.
	A lei pode dizer que agora voc  uma cidad inglesa, mas isso no vai mudar o que sente no corao. Voc nasceu na Amrica e nada nem ningum conseguirfaz-la se sentir diferente.
Depois de uma longa pausa, Sunny comentou, baixinho:
	Muito obrigada. Eu estava mesmo precisando ouvir isso.
Pensando que o momento certo chegara, Justin enlaou-a pela cintura. Por um instante, ela pareceu aprovar, mas no segundo seguinte, ficou rgida.
Justin colocou o brao nas costas de Sunny e puxou-a para mais perto, pensando que com esse gesto conseguisse faz-la relaxar. Apesar de ela no ter protestado, seu corpo permaneceu to rgido quanto antes.
	Sunny, est com medo de mim?  Justin indagou, afastando-se.
	No... No de voc.
	Ento... Esta com medo da... Intimidade do casamento?
	E mais do que isso, Justin. Eu mesma no sei como explicar.  Sunny passou as mos pelos cabelos, depois olhou para Justin, pela primeira vez naqueles ltimos dias.
 Cresci me preparando para casar. Durante toda minha vida, no houve nada em que pensasse mais.  Sunny
respirou fundo.  S agora, tarde demais,  que tive conscincia de que no queria me casar com ningum.
Apesar de Sunny ter afirmado que o problema no era com ele, foi muito difcil para Justin no levar para o lado pessoal.
Sentindo um frio percorrer-lhe a espinha, ele pegou as mos de Sunny e falou:
	O que voc quer que eu faa ... Ficarmos em quartos separados, para no precisar me ver por perto? Sou capaz de apostar que sua me coagiu voc a um casamento que no concordava.
	Oh, no!  claro que no. Eu j dei minha palavrano altar e isso  uma coisa que no pode ser mudada.Vou fazer o possvel para me tornar uma boa esposa, mas no sei se terei sucesso.
Embora Justin tivesse contado as horas que faltavam para estarem a ss, disse:
	Ns no precisamos dormir juntos esta noite... Voc
est muito cansada.  melhor esperarmos alguns dias.
Sunny hesitou por um momento, depois balanou a cabea.
	 melhor acabarmos com isso logo. Esperar s vai contribuir para aumentar meu desespero.
Justin queria fazer amor com sua esposa e ela queria acabar logo com isso, como se fosse um simples negcio.
Meu Deus, no  assim que eu sonhei!, Justin pensou, angustiado. Mas se Sunny aprender que isso no  to ruim quanto pensa, conseguir relaxar e encontrar o prazer.
Augusta Vangelder... Com certeza ela falou sobre suas prprias experincias matrimoniais e passara seu desprezo pelo sexo para a filha.
Justin tinha at tentado entender o que a sogra sugeriu quando fora procur-lo para uma conversa sria.
Bem, se sua esposa queria que o casamento se consumasse naquela mesma noite, ele a atenderia. Em parte, porque aquilo lhe parecia o mais certo, mas o motivo principal era que a desejava com tanta intensidade que chegava at a sentir uma dor no peito.
- Ento... Venha, querida.  Justin puxou-a para mais perto e desamarrou o lao de seu robe, que caiu no cho, revelando os ombros nus de Sunny.
Ele respirou fundo diante da viso e Sunny sentiu-se ruborizar:
	Poderia... Poderia apagar... As luzes?  ela murmurou.
Apesar de sentir vontade de v-la despida, Justin falou:
 Como desejar.
Enquanto apagava as luzes, Sunny cerrou as pesadas cortinas, trazendo ao ambiente uma escurido total e sufocante. Depois, caminhou em direo  cama.
Logo aps tirar seu roupo, Justin deitou-se ao lado dela e tocou-a. Preferia ter tirado a camisa do pijama, mas um homem nu poderia deix-la ainda mais desesperada, mesmo estando no escuro e sob as cobertas.
Justin abraou-a e beijou-a com todo o carinho que havia reservado para aquela noite. Mesmo Sunny no o rejeitando, seus lbios estavam frios e todo seu corpo tenso.
Nem com todo o esforo do mundo, ele conseguiria faz-la relaxar. Na verdade, cada beijo tinha o poder de deix-la ainda mais rgida.
	Isso no est certo  ele murmurou, afastando-se dela.
	Faa logo... Por favor  Sunny disse.
Justin sentia-se pronto para fazer amor com ela. A temperatura de seu corpo subira de forma assustadora e a respirao estava acelerada. Ele aproximou-se e, com um movimento, separou as pernas dela, tocando-a intimamente.
Sunny gemeu ao sentir que Justin havia se deitado sobre ela e comeava a fazer movimentos ritmados. Ela no esboou o menor protesto.
Quando Justin penetrou-a, ela soltou um grito de dor. Por uns instantes, ele ficou imvel. Depois recomeou os mesmos movimentos, at que explodiu num grito, sinal de que havia chegado ao clmax.
 Sinto... Sinto muito se a machuquei  Justin disse, deitando-se ao lado dela.  Prometo que no vai mais sentir essa dor.
 Estou bem, Justin  retrucou, com voz trmula.  No... No foi to ruim quanto eu pensava.
Sentindo-se incapaz de resistir  vontade de abra-la e confort-la, Justin sentou-se na cama. Se Sunny permitisse, algo de muito bom poderia acontecer naquela noite. Mas ela havia se virado de costas e quanto Justin tocou-a, sentiu que voltara a ficar rgida como pedra.
O silncio que se seguiu foi interrompido pelos soluos que Sunny tentava conter.
Justin sabia que no podia fazer nada, por isso continuou deitado, pensando que, apesar da maneira estranha como tinham feito amor, ele adorara cada segundo em que estivera dentro dela, mesmo que aquele ato despertasse tanta repulsa em sua esposa.
Depois de muito, muito tempo, as lgrimas de Sunny secaram e sua respirao voltou a ficar lenta e ritmada e ela conseguiu adormecer. Com todo o cuidado, Justin levantou-se da cama e foi at a sala. L, um candelabro ainda aceso, refletiu seu vulto no imenso espelho que havia na parede oposta. No conseguindo encarar o prprio espelho, virou-se angustiado.
A sute era a mais luxuosa do hotel, apesar de no ser decorada como a manso dos Vangelder. Um conjunto em porcelana estava disposto sobre a mesa, para o caf da manh. Justin sentou-se na cadeira e ficou com o olhar perdido nas xcaras. Vasos repletos de flores coloridas perfumavam todo o ambiente. Algumas delas, ele mesmo encomendara; outras tinham sido cortesia do hotel, que estava grato por ter o duque e a duquesa de Thomborough hospedados ali.
Ele havia sado do cu e cara no inferno. Aquela noite de npcias desastrosa no tinha sido o resultado de algo to simples, como a vergonha dela ou a falta de tato dele. Havia sido uma total rejeio.
A mulher de seus sonhos no suportava seu toque, e parecia no haver muita chance de que aquilo mudasse, com o passar dos dias.
Levantou-se e pegou uma rosa branca. Ela estava comeando a desabrochar, assim como seu amor por Sunny.
Ele lembrou-se da primeira vez que tinha visto Sunny em Swidon. Ela ria e parecia muito feliz por estar ali. E agora, estava adormecida no quarto ao lado, e seu sorriso sumira do rosto angelical.
Justin sabia que metade da responsabilidade de tudo o que acontecera se devia ao fato de Sunny ter tido uma decepo amorosa. Uma outra parcela da culpa... Bem... Augusta Vangelder tambm tinha contribudo.
Mas a responsabilidade maior era dele mesmo. Pelo simples fato de ter querido se casar com Sunny, Justin tinha destrudo todos os sonhos de um futuro cheio de amor e carinho. Comeou a arrancar ptala por ptala e deixou-as cair no cho, uma por uma, enquanto pensava:
Ela me ama, ela no me ama...
A ltima ptala caiu no cho. Ela no o amava.
A seguir olhou para o vaso de onde tinha tirado a rosa. Depois, com um gesto brusco, atirou-o na parede, quebrando-o em centenas de pedaos.
Ela no o amava.

CAPITULO VI

Justin olhou pela janela do trem.  Estaremos chegando em Swindon em cinco minutos.
Sunny arrumou o chapu. Desde que a viagem comeara no vago particular luxuosamente decorado, ela tivera tempo suficiente para pensar em tudo o que estava acontecendo.
Enquanto se preparava para a grande viagem, Sunny estudava o rosto do marido, com o devido cuidado. Sua expresso estava impassvel, como sempre. Com uma nica diferena: agora estava voltando para casa, levando a esposa consigo, pela primeira vez. Ser que ele nunca sentia nada?
Depois de trs semanas de casamento, Justin no tinha sido nada alm de muito educado e corts. Amvel... E distante como se estivesse do outro lado do continente!
No que Sunny estivesse reclamando, pois aqueles dias demonstraram como poderia continuar vivendo com Justin sob o mesmo teto. Em pblico, ela pegara a mo dele e sorrira-lhe diversas vezes, fazendo com que todos pensassem que formavam o casal mais apaixonado do mundo. Nenhum deles havia feito qualquer referncia ao que tinha acontecido naquela primeira noite de npcias.
Enquanto viajavam pela Amrica, Justin sempre reservava o quarto, tendo o cuidado de escolh-los com duas camas.
A cada trs ou quatro dias, ele se aproximava dela e perguntava-lhe se seria conveniente para ela receb-lo aquela noite, em sua cama. Sunny tinha concordado todas as vezes, exceto uma, quando alegara indisposio. E teria ficado mortificada se Justin lhe perguntasse o que estava errado.
Cinco dias se passaram, antes que ele lhe perguntasse de novo, e quando isso aconteceu, Sunny recebeu-o de novo. E, como Justin tinha prometido, no houve mais nenhuma dor depois da primeira vez, e logo o medo de Sunny tambm havia desaparecido.
Obediente, Sunny seguia  risca as advertncias da me e ficava imvel na cama, enquanto o marido fazia o que tinha de ser feito. O ato sexual levava s alguns minutos, e Justin sempre saa da cama, quando terminava.
Uma ou duas vezes, ela sentira os dedos de Justin entre seus cabelos, acariciando-a, antes de se levantar. Sunny gostava de pensar que aquele era um gesto de carinho.
E sua me estava certa: a aceitao passiva do ato havia feito com que Justin a respeitasse. Alm de trat-la com evidente considerao, sempre a encorajava a revelar suas opinies a respeito de algo que estivessem conversando. Aquilo era, com certeza, um sinal de respeito.
Eles costumavam conversar sobre vrios assuntos: poltica inglesa e americana, arte e msica, arquitetura e histria. Apesar de Justin no costumar falar muito, suas observaes eram sempre justas e Sunny adorava ouvi-lo.
Os momentos que passavam conversando eram maravilhosos e ambos se entendiam e tinham as mesmas opinies. No era amor, mas talvez um dia, acabasse se transformando.
Sunny rezava toda noite para que isso acontecesse, porque se tivesse que viver sem amor seria bastante triste.
	Estou bem?  ela indagou, olhando para Justin.
Seu marido olhou-a antes de responder.
	Voc est linda. Como uma legtima duquesa deve ser.
Sunny aproximou-se da janela e arregalou os olhos, ao ver a multido que se acotovelava do lado de fora.
	Meu Deus! H centenas de pessoas!
	Eu a preparei para isso. So todos os moradores de Swindon Minor e de outras vilas ao redor. As escolas decretaram feriado, a fim de que as crianas tambm pudessem estar aqui para recepcion-la.
	Voc no me parece muito entusiasmado.
	Gavin sabia lidar melhor com isso  Justin observou, abrindo a porta do vago.
Talvez aquilo fosse verdade, mas quando colocou os ps na plataforma, as pessoas ali presentes comearam a aplaudi-lo e ele sentiu que estava emocionado com a demonstrao de carinho do povo.
Justin virou-se e deu a mo para que Sunny descesse. Uma nova salva de palmas foi ouvida e acenaram na direo do povo.
Uma garota aproximou-de deles e, atendendo a ordem da me, entregou-lhe um buque de flores.
	Agora, venha, Ellie.
Quando a garota ia se virar para voltar, Sunny abaixou-se e beijou-a no rosto.
Novamente, uma salva de palmas, seguida de gritos, puderam ser ouvidos.
	Muito obrigada, Ellie  Sunny agradeceu, sentindo-se ruborizar. Aquele gesto no tinha sido premeditado, mas beijar crianas era sempre uma boa poltica.
O prefeito da cidade esperava por eles com a porta da carruagem aberta. Assim que ambos entraram, os cavalos foram atrelados, enquanto as bagagens eram retiradas do trem.
Logo em seguida, uma dzia de homens seguiram  frente da carruagem, abrindo caminho entre a multido, enquanto na igreja os sinos comearam a repicar, saudando o duque e a duquesa de Thornborough.
	Isso me parece um tanto feudal  Sunny comentou, olhando para o marido.
Justin acenou pela janela para um grupo de crianas.
	Isto no  para voc, ou para mim.  uma tradio vivida nestas terras por sculos. O palcio de Swindon pertence tanto aos habitantes daqui, quanto aos Aubrey.
Sunny sabia que estava certo; a realeza parecia estar vivendo seus melhores momentos de glria.
Tentando parecer uma duquesa autntica, ela sorriu e acenou durante os longos quilmetros at o palcio, onde uma outra multido os aguardava nos jardins.
Depois que a carruagem parou na porta principal, Justin desceu e estendeu a mo para Sunny.
Subiram as escadas at a porta e acenaram pela ltima vez. Sunny segurava no brao do marido, enquanto ele fechava a porta.
No entanto, os cumprimentos ainda no tinham acabado, Sunny constatou ao se virar e ver a legio de pessoas que existiam dentro da casa.
Parentes e amigos, pensou, resignada.
Ao se preparar para sorrir mais uma centena de vezes, Sunny viu quando dois ces enormes entraram correndo na direo deles. Antes que pudesse esboar uma reao, Justin falou:
	Sentem!
Os dois wolfhound estancaram no lugar e olharam para Justin com ateno.
	Estes so os ces de Gavin. Sentem muito a falta do meu irmo.
Para Sunny, no entanto, os ces pareciam satisfeitos com seu novo duque.
Demorou alguns segundos para que ela percebesse que o comentrio revelava o quanto ele mesmo sentia saudades do irmo, por isso, ficou envergonhada por nunca ter parado para pensar no que Justin devia estar sentindo com relao  sua morte, apesar de serem diferentes.
Eles devem ser sido muito amigos, Sunny continuou pensando, ou Justin no teria escolhido administrar os negcios da famlia, quando poderia estar fazendo outras coisas.
Enquanto pensava no que podia dizer  Justin, os Aubrey se aproximaram.
Em primeiro lugar, estava a duquesa, me de Justin, toda de preto, devido  morte do filho. Sua expresso severa fez com que Sunny se lembrasse da prpria me, apesar de Augusta ser bem mais elegante.
Depois de uma olhada atenta na direo de Sunny, a matriarca da famlia disse:
	Voc me parece bem, garota. J est grvida?
Sunny sentiu que o rosto inteiro ficara ruborizado, diante da pergunta da duquesa e Justin, colocou o brao nos ombros da esposa, em atitude protetora.
	Ainda  muito cedo para pensarmos nisso, j que estamos casados h menos de um ms, me.  E, virando-se para Sunny, acrescentou: Querida, creio que j conhece minhas irms mais velhas, Blanche e Charlotte, e seus maridos, lorde Alton e lorde Urford.
Sunny as havia conhecido em sua ltima viagem  Inglaterra e enviou-lhes um sorriso de simpatia. Blanche e Charlotte fitaram-na por alguns instantes.
Foi um olhar examinador, mas logo em seguida, abraaram-na efusivamente.
A irm mais nova, lady Alexandra, era a prxima.
A Gargoylette, Sunny pensou.
Justin abraou a irm mais tempo do que o tinha feito com as outras pessoas, o que fez com que Sunny percebesse que aquela tinha sido a mais clara demonstrao de carinho que tinha visto no marido, desde que o conhecera.
	Creio que ainda no conhece minha irmzinha, Alexandra  Justin apresentou a esposa, sem desviar os olhos da irm.
Alexandra aproximou-se de Sunny, um pouco embaraada por estar diante da cunhada.
Alexandra tinha cabelos pretos e era alguns centmetros mais baixa do que as irms, que eram idnticas a Gavin. No havia nada de errado com sua aparncia, exceto que a me, ao escolher seus vestidos, demonstrava ter um pssimo gosto.
Seguindo seus instintos, Sunny abraou a cunhada.
	Muito obrigada por sua carta  ela disse de um jeito amigo.  Foi bom saber que eu teria uma amiga aqui.
Alexandra pareceu ter ficado ainda mais envergonhada. Seus grandes olhos negros eram parecidos com os de Justin, mas onde ele era seguro, ela era vulnervel.
	Estou feliz em v-la aqui  Alexandra falou.  Eu a vi quando foi caminhar pelos jardins do palcio na ltima vez e a achei a pessoa mais maravilhosa do mundo.
	 incrvel o que um bom costureiro consegue fazer  Sunny murmurou, embaraada pelas palavras de Alexandra.
Depois foi a vez dos primos e primas de Justin, vindo logo atrs os empregados. Dois deles deram as boas-vindas  Justin e sua esposa e ofereceram  Sunny uma baixela em prata, em nome de todos os empregados da casa.
Era hora de subir e se preparar para o jantar. Justin acompanhou a esposa at seus novos aposentos. A sute da duquesa era magnfica. Os mveis em estilo Vitoriano e o piso forrado com tapetes antigos, davam ao quarto uma aparncia principesca.
	A rainha Elizabeth dormiu aqui?  Sunny perguntou, atirando-se na cama forrada com uma colcha branca de babados.
	No, mas aposto como teria adorado.  Justin se aproximou da esposa.  No ordenei nenhuma mudana, porque achei que voc mesma gostaria de faz-las.
Sunny olhou ao redor e disse:
	A nica coisa que tiraria seria essa tapearia Sunny apontou para a parede.  Mas, por enquanto, pode ficar. Quanto tempo tenho at o jantar?
	Receio que menos de meia hora. Ainda h mais coisas para ver, mas isso pode esperar.  Justin mostrou a porta que havia do lado direito da cama de Sunny. Aquela porta leva  minha sute. No hesite em me procurar, se precisar de algo.
	Ainda estou muito confusa, para saber do que preciso. Mesmo assim, obrigada.  Sunny tirou o chapu e passou as mos pelos cabelos.  Deveramos descer juntos para o jantar?
	Sim  respondeu com um sorriso.  Sem um guia para lev-la at a sala de jantar, ficar perdida durante semanas.
Depois que Justin saiu, Antoinette, sua empregada de confiana que havia" chegado uma semana antes, saiu do quarto de vestir.
	Enquanto todos a cumprimentavam, mademoiselle, tive tempo suficiente para arrumar todas as suas roupas. O que deseja vestir para esta primeira noite? Com certeza, algo maravilhoso que impressione seus parentes, no?
	Eu acho que o vestido creme  o ideal  Sunny falou.  Creio que tambm deveria usar o colar de diamantes, apesar de saber que ir me machucar o pescoo.
A criada assentiu.
	Vai estar radiante, mademoiselle.
Depois que Antoinette saiu, Sunny sentou-se numa cadeira forrada de tecido brocado, desconfortvel, pois do contrrio, no teria conseguido permanecer acordada.
Era um prazer ficar alguns minutos sozinha. Mas logo em seguida, Sunny escutou o grito de Antoinette:
	Mademoiselle, encontrei algo maravilhoso! Venha ver! Sunny no queria se levantar, mas mesmo contrariada, viu-se caminhando na direo do quarto de vestir, onde ao chegar, viu duas portas no canto esquerdo.
Antoinette dramtica abriu uma delas e gritou:
	Voil!
A medida que Sunny se aproximava, seus olhos se arregalavam.
Ali estava uma sala de banho que teria impressionado at Augusta Vangelder! O mrmore branco que decorava o ambiente, inclusive a banheira, dava ao lugar uma aparncia luxuosa.
	Voc est certa. Com certeza, esta  sala de banho mais maravilhosa que j vi em toda a minha vida!  Sunny exclamou.
	E na outra porta  a criada apontou.  est o banheiro. O empregado que me acompanhou at aqui contou que estes dois cmodos foram reformados depois que mademoiselle aceitou o pedido de casamento do duque.
Sunny sentiu-se tocada por aquele gesto de afeio do marido. Parecia que ela no iria sofrer os horrores que a madrinha havia dito.
	Talvez, mais tarde, eu possa aproveitar tudo isso aqui.
Decidida a agradecer ao marido por tudo o que tinha feito, Sunny abriu a porta de comunicao com o quarto dele.
	Justin, eu acabei de descobrir a sala de banho e...
No meio da sentena, Sunny viu o marido e parou envergonhada, pois estava trocando de roupa. Ele acabara de tirar a camisa e Sunny no pde evitar um rubor.
Apesar de Justin ter se virado, no pareceu ter ficado constrangido.
	Depois de ter conhecido as modernidades da Amrica, tive certeza de que uma reforma nos banheiros seria o melhor presente que poderia ganhar, em vez de jias.
Sunny tentou manter os olhos fixos nos de Justin, mas em vo. Eles insistiam em descer na direo do peito msculo do marido. Possua os ombros largos e o peito era recoberto por uma camada de pelos pretos.
Sunny sentiu vontade de passar as mos por eles, e ver se eram macios como pareciam.
	Voc... Voc teve uma excelente ideia. Eu sempre gostei de tomar banhos demorados e at j estava conformada em tomar banho em frente  uma lareira.
	E por falar em fogo, eu tambm decidi que j era hora de colocarmos aquecimento central em todo o palcio  Justin falou, colocando a camisa, sem se preocupar em aboto-la.  Vai demorar at que tudo esteja instalado, mas instru a empresa que contratei a comear o servio
por esta ala. Assim, estar mais confortvel para voc. Eu sei que os americanos gostam de casa quente.
S ento  que Sunny notou que os quartos estavam muito mais quentes do que esperara.
 Obrigada, Justin. Acho que voc  o marido mais atencioso do mundo.  Sunny cruzou o quarto e, aproximando-se dele, deu-lhe um beijo rpido.
Aquela era a primeira vez que ela tomava a iniciativa e Justin, envolvido por aquele momento, segurou-a pela cintura.
Sem conseguir conter a tentao, Sunny passou a mo pelo peito dele, como se tivesse sido por acaso. Os pelos eram mais macios do que pensara, contudo ficou tensa ao perceber a sensao que aquele toque despertara e retirou a mo Porm, o beijo inevitvel aconteceu e ela reconheceu que no sentia a menor pressa para que terminasse.
Muito gentil, a lngua de Justin procurava pela dela. Aquela era uma nova sensao... Agradvel... Muito agradvel.
Um barulho de sinos ecoou pelos corredores e ambos deram um pulo, como se tivessem sido pegos fazendo alguma coisa errada.
Depois de um instante, Justin disse:
	O sino avisando que o jantar ser servido em dez minutos... Tempo que deveremos estar l em embaixo.
	Oh... Eu mal terei tempo de me trocar!  Embaraada por ter perdido o controle, Sunny voltou correndo para seu quarto.
To logo a porta de comunicao foi fechada, Antoi-nette apareceu segurando o vestido que Sunny lhe pedira.
Quando a criada comeou a arrum-la, Sunny fechou os olhos e seus pensamentos voltaram ao beijo que havia trocado no quarto de Justin e sentiu uma pontada no corao ao se lembrar do corpo quase nu do marido.
O jantar foi um outro esforo. Sunny sentou-se do lado oposto de Justin, to longe que mal conseguia v-lo.
Antes que o primeiro prato fosse retirado, ficou bvio que a duquesa era uma mulher amarga e tirana, pois ficou o tempo todo enaltecendo as qualidades e o esprito nobre de seu querido e falecido filho, entremeando os comentrios com coisas do tipo: "Pobre Gavin!"
Charlotte tentou amenizar o clima, prometendo a Sunny que to logo tivesse tempo, mandaria um manual da famlia Aubrey, a fim de que nunca cometesse o crime de colocar as pessoas erradas lado a lado, durante qualquer recepo.
	H cerca de duzentas famlias, cuja histria e relacionamentos voc precisa aprender, Sarah. Justin j lhe explicou todas as ramificaes da famlia Aubrey e de minha famlia, os Sturford?
	Ainda no, senhora  Sunny respondeu, polida.
	Imperdovel da parte dele. Justin no nasceu para ser um duque, pois nem sabe direito quais so suas obrigaes.  A duquesa olhou para o filho.   to triste ver Justin no lugar do irmo... Foi uma perda irreparvel para toda nossa famlia. Deve se apressar em ter um filho, Sarah, e tenha certeza de que ser um menino.
Sunny ficou tentada a jogar o que tivesse nas mos na direo daquela mulher abominvel, mas pareceu-lhe ser ainda muito cedo para declarar uma guerra.
Um olhar na direo de Justin confirmou que ele no escutara o que a me acabara de dizer.
Alexandra, ouvira, apesar de estar com os olhos fixos no prato.
	A morte do duque foi uma tragdia. Entendo sua perda  Sunny murmurou.
	Gavin deveria ter escolhido uma moa como voc para se casar... No aquela tal de Russell! Se ele tivesse feito isso, eu com certeza, j teria morrido de desgosto.
Sunny j ouvira dizer que o problema principal no era a noiva de Gavin, mas sim sua inabilidade em manter as mos afastadas de qualquer mulher que se aproximasse, mesmo quando estava a caminho do casamento. Esperando encerrar o assunto, Sunny observou:
	No  da nossa alada questionarmos os desgnios dos cus.
	Muito brilhante de sua parte, Sarah. Dificilmente algum acreditaria que  uma garota americana.
Quando o jantar terminou e todas as mulheres deveriam se levantar, a fim de deixar os homens sozinhos para um ltimo licor, Sunny percebeu que a duquesa no fizera o menor gesto para se recolher.
Sunny ia dar o primeiro passo quando a duquesa levantou-se, puxando-a pelo brao, para que tambm fizesse o mesmo.
Em seguida, Charlotte, Blanche e Alexandra tambm saram.
Sunny sentiu o sangue ferver. Aquele era um desafio direto contra sua condio naquela casa. Se ela no se impusesse naquele momento, a sogra iria tomar a frente do palcio.
As outras convidadas hesitaram, olhando da duquesa-me para Sunny, a nova duquesa.
	Est se sentindo bem, duquesa?  Sunny indagou naquele tom de voz que ouvira a me falar centenas de vezes.
	Estou bem  a sogra respondeu.  De onde tirou essa ideia de que no estou bem?
	No consigo pensar em outra razo para sair to cedo  Sunny retrucou.
Por um momento, todas ficaram olhando para a duquesa. Depois, uma a uma, voltaram a se sentar, enviando olhares de desculpas a Sunny.
Sabendo que havia perdido, a me de Justin sentou-se de novo, com uma expresso contrariada.
Sunny respirou fundo. Sabia que havia ganho a primeira batalha. Mas, com certeza, haveriam outras.
A noite terminou quando o relgio da sala de jantar bateu onze horas.
	Sinto muito que o dia tenha sido to extenuante 	Justin disse, ao conduzi-la at o quarto.  Mas todos estavam ansiosos para conhec-la.
	Estarei bem aps uma noite bem dormida.
	Voc fez muito sucesso com todos  o duque observou, sorrindo.  Sinto muito por minha me... Pela maneira to... Bem, voc entende. Gavin era o filho favorito, e ela no fazia questo de esconder isso de ningum. Por isso, sente tanto a falta dele.
	Voc tambm sente saudades dele, mas no se tornou uma pessoa rude.  Sunny mordeu o lbio inferior.
	Desculpe, no quis ser impertinente.
	Mame  uma mulher enrgica e no espero que sempre concorde com suas opinies. Blanche e Charlotte esto acostumadas a travarem verdadeiras batalhas com ela. Lembre-se de que  minha esposa e a duquesa de Swindon.
	Devo me esforar para ser delicada com sua me.
Mas eu lhe digo que nunca precisei batalhar com nin gum... Antes.
Uma mistura de carinho e desejo tomou conta dele, que teve de se esforar por no abra-la, pois acabariam na cama em questo de segundos.
Inocente, Sunny lhe deu as costas e falou:
	Poderia soltar meu colar, por favor? Est me incomodando.
Quando Justin tirou-o, percebeu que havia um machucado no pescoo de Sunny.
	No gosto de v-la usando uma jia que a machuca.
Sunny assentiu.
	Receio que todos os colares foram desenhados para que nos machuquem.
	Talvez no devesse seguir a moda to  risca.
	Uma duquesa deve estar sempre na moda. Serei criticada se isso no acontecer.  Com os olhos baixos, ela pegou o colar e entrou no quarto.
Justin sentiu aquela dor familiar, assim que a viu desaparecer atrs da porta.
Algum havia dito que para um homem se sentir sozinho ele deveria se casar. Aquelas palavras eram verdadeiras, porque Justin no se lembrava de ter se sentido to solitrio antes do casamento. E agora que tinha uma esposa, sua vida tinha se tornado uma solido s.
O problema era que ele a desejava cada vez mais. Queria t-la em seus braos durante a noite inteira. Queria que arquejasse de prazer, quando fizessem amor. Queria estar com ela dia e noite...
Justin respirou fundo enquanto entrava em seu quarto. Lentamente, comeou a tirar a roupa. Esperava que com o passar dos dias Sunny comeasse a gostar de seus momentos de intimidade, mas cada vez que ia para sua cama, ela se tornava rgida. Apesar de nunca ter reclamado ou falado alguma coisa sobre isso parecia que Sunny no gostava de fazer amor. Todavia Sunny tambm no deixara claro que no gostava. E lhe dera aquele beijo repentino.
Em sua inocncia, ela no tinha entendido que fazia com que o sangue de Justin pulsasse veloz nas veias, a cada vez que se aproximava dele.
Assim que se deitou, Justin percebeu o quanto estava sofrendo por Sunny. Seu compromisso com ela se resumia a duas vezes por semana, apesar de desejar fazer amor todos os dias.
Ainda permaneceu entretido com aqueles pensamentos e acordado por um longo tempo, no escuro, se perguntando se conseguiria dormir, afinal.
Se quiser ser solitrio, arranje uma esposa.
As palavras ainda ecoavam na cabea de Justin, quando j de madrugada, acabou adormecendo.

CAPITULO VII

Swindon Fevereiro de 1886

Sunny deixou de lado a carta que estava es-) crevendo e se aproximou da janela da sala de estar. Ao longe, podia divisar um lago onde, muito tempo antes, um homem se jogara, num momento de profundo desespero e melancolia. Olhou para o cachorro ao seu lado.
 Daisy, quantas das mulheres que invejaram meu casamento acreditariam no quanto isso pode ser tedioso durante o inverno?
Daisy, sua fiel amiga de todas as horas, fitou-a com dois grandes olhos e rosnou em resposta.
Sunny gostava de pensar que a cadela entendia o que ela falava. Com certeza, era uma tima ouvinte.
O olhar de Sunny voltou para a tarde fria.
A tradio dizia que uma mulher deveria viver tranquila em casa, depois do casamento e em Swindon, isso era constante. Fora os parentes que apareciam, Alexandra e a duquesa-me eram os nicos moradores naquele imenso palcio, com exceo das dzias de empregados.
As cavalgadas eram a maior parte da rotina diria feitas todas as manhs com Justin. Sunny nunca perdeu um dia, no importando como o tempo estivesse, pois adorava estar ao lado do marido, apesar de no conseguir definir o motivo exato.
Depois da cavalgada, ela no o via at a hora do jantar, pois o trabalho o mantinha ocupado. Ocasionalmente, Justin ia a Londres e ficava por l vrias semanas. Deveria estar chegando em poucos dias e as horas que faltavam para se encontrarem pareciam nunca chegar.
A vida social de Sunny se resumia a receber alguns poucos vizinhos que apareciam e depois retribuir-lhes a visita. Apesar da maioria das pessoas que Sunny conhecera serem simpticas e atenciosas, pareciam levar um estilo de vida diferente da que levava em Swindon.
Havia o tio Trask que s usava roupas vermelhas, por exemplo, e uma tia dos Howard que possua um papagaio que ensinou falar algumas palavras, livrando-se assim, de precisar responder vrias perguntas.
Tais figuras exticas faziam parte das cartas que Sunny escrevia para a famlia. Se no fosse por isso, no teria nada para contar  me e ao irmo.
De repente, uma batida  porta trouxe Sunny de volta  realidade. Aps ouvir a permisso de Sunny, sua cunhada entrou e caminhou at ela.
	H um telegrama para voc, Sunny. E eu me ofereci para traz-lo.
Sunny abriu o envelope e leu a mensagem: "Sr. Justin concluiu o negcio e estar voltando para o jantar".
	Que bom!  Alexandra exclamou, quando soube do contedo do telegrama.  Fica tudo to quieto quando ele est longe.
	Daqui h dois meses, quanto voc for apresentada  sociedade e tiver dez festas para ir num s dia, vai sentir saudades do sossego desse lugar.
	Eu no!  Alexandra fez uma careta.
	Ser um grande sucesso, Alexandra  Sunny comentou convicta. As duas tinham se tornado amigas e s com ela Sunny conseguia conversar de igual para igual.
	 incrvel como uma boa roupa pode fazer com nossa autoconfiana. Depois que comear a usar o que Worth est aprontando para voc, no ir se reconhecer.  Ela fez uma pequena pausa.  Acho que vou dar uma volta antes de subir para tomar um banho e trocar de roupa.
Gostaria de ir comigo?
	No hoje, obrigada. Quero terminar de ler um livro Alexandra respondeu.  Mas tem algum que gostaria muito. Vejo voc na hora do jantar.
Daisy j tinha se levantado e olhava para Sunny, com a lngua de fora.
Depois que Alexandra saiu, Sunny subiu ao seu quarto e pegou o casaco de pele e um par de botas. Depois, desceu e saiu para o jardim, com Daisy logo atrs.
Quando estavam bem longe de casa, Sunny indagou:
	Quer brincar um pouco?
Sunny havia encontrado Daisy numa manh em que sara para cavalgar com Justin, assim que chegara em Swindom.
A cadela estava desesperada tentando se livrar de um atoleiro e Sunny, ao ouvir os latidos, fez meno de descer do cavalo. Justin havia sido mais rpido e com um movimento de mo, impediu-a de descer. Quando Sunny viu o marido todo sujo de lama, salvando a cadela, sentiu uma profunda admirao por ele. Afinal, arriscara a prpria vida!
A duquesa-me no aprovara aquele gesto e chegou a dizer que o animal traria doenas para dentro do palcio. Mas no pde expulsar a cadela, pois Justin dera permisso para que o animalzinho ficasse.
A duquesa-me se conformou em reclamar pelos cantos do palcio que era natural Sunny querer um pria por perto, pois, afinal, todos os americanos eram prias, tambm.
Sunny achou melhor ignorar o comentrio, para que o clima no palcio no ficasse insustentvel.
E, como sempre, Daisy estava disposta a brincar com sua dona. Aps Sunny jogar um pedao de madeira por vrias vezes, ambas se deitaram na relva perto do templo grego em miniatura, por alguns instantes e depois fizeram o caminho de volta ao palcio, enquanto Sunny pensava nas mudanas que faria no jardim.
Era uma pena que nada poderia ser mexido naquela poca do ano, mas envolver-se com a jardinagem seria muito bom para ela.
 Sou uma pessoa de sorte, Daisy. A maioria das previses de minha madrinha no se tornaram verdadeiras. Justin  o marido mais atencioso que uma mulher pode desejar e est fazendo do palcio um lugar aconchegante.  Sunny olhou na direo do palcio, onde alguns homens limpavam o imenso terreno ao redor, apesar do tempo.  E claro que muitos achariam estranho eu conversar mais com meu animal de estimao do que com meu prprio marido.
Uma das previses de Katie Westron ainda a assustava: a possibilidade de Justin ter uma amante. Seria por causa dela que viajava sempre para Londres?
Sunny odiou aquele pensamento. No podia ser verdade que Justin estivesse fazendo... Aquilo com outra mulher. Ela tentou no pensar mais no assunto, mas em vo.
O sol estava se pondo quando chegou  porta principal, com Daisy a seu lado.
Se a melhor parte do dia era cavalgar com Justin, a pior era, o jantar com a duquesa-me. Mesmo aps terem se passado alguns meses de convivncia, ainda no havia conseguido mudar de opinio a respeito da sogra. A maioria das observaes maldosas que a duquesa-me costumava fazer eram dirigidas a Justin. Porm ela tambm comentava sobre Alexandra, seu jeito de ser e das raras possibilidades de lhe arranjar um casamento. Mas poupava a nora, por que sabia que Alexandra estaria atenta quele detalhe.
Quer jogar a filha contra mim, Sunny pensava. Isto est mais do que claro e em todas as refeies, Sunny supunha que seria daquela vez que acabaria perdendo a pacincia e explodindo com a sogra.
Queria pedir a Justin que conversasse com a me e lhe pedisse para medir as palavras, antes de diz-las na frente de Alexandra, mas acabou mudando de ideia.
Quando abriu a porta, viu que Justin j tinha*chegado e estava no hall de entrada tirando o casaco. Por um momento, chegou a pensar que ele ficara feliz por v-la, mas no tinha certeza.
Ol!  Sunny cumprimentou-o, tirando o pesado casaco.  Fez uma boa viagem a Londres?
Assim que o criado saiu levando os casacos, Justin beijou Sunny no rosto e se abaixou para acariciar Daisy.
Sim, mas estou feliz em voltar para casa.
Comearam a subir as escadas e o pensamento de Justin ter uma amante passou novamente pela cabea de Sunny. Apesar de saber que era melhor no ter nenhuma confirmao, ela perguntou:
	Por que viaja tanto para Londres? Ou acha que no serei capaz de entender a resposta?
	O dinheiro dos Thornborough sempre vieram das propriedades, mas vejo na agricultura um bom negcio  Justin explicou, assim que chegaram ao corredor.  Estou fazendo investimentos diversificados para que os futuros duques no precisem se casar por dinheiro.
Sunny parou de repente, como se tivesse levado um tapa no rosto. Quando conseguiu recompor-se e respirar com normalidade, falou muito sria:
	Deus perdoa um Aubrey que desposa uma americana estpida e tola.
	Eu sinto muito, Sunny... No quis dizer isso...
	Oh...  mesmo? Pois acho que voc foi muito claro!
Quando Sunny se virou e abriu a porta de seu quarto, sentiu duas fortes mos agarrando-a pelos ombros.
	E teria escolhido voc, mesmo se no fosse uma rica herdeira.
	Que bonito! Mas no precisa mentir, Justin. Ns dois sabemos que esse casamento no teria acontecido sem meu dinheiro e seu ttulo de nobreza. Se souber investir meu dinheiro com esperteza, talvez seu filho, se tivermos um, tenha a oportunidade de se casar com quem escolher. Eu, de verdade, espero que isso acontea.
Justin tirou as mos de Sunny e ela entrou, seguida por Daisy. Ao fechar a porta atrs de si, no resistiu e se atirou na cama.
Teria sido melhor se no ficasse sabendo o que Justin pensava, pois se antes tinha dvidas quanto ao fato de ele ter uma amante ou no, agora se desesperava por perceber que deveria ter algum por quem estivesse apaixonado. Havia um certo tom na voz de Justin, pela primeira vez, que indicava que era capaz de amar profundamente uma pessoa. Ser que tinha sido forado a abrir mo da amada, a fim de salvar Swindon?
Percebendo que a dona estava triste, Daisy enfiou o focinho nas mos dela. Sunny acariciou o animal.
	Que mundo estranho ns vivemos, Daisy  desa bafou baixinho.
Mesmo se Justin amasse outra mulher, era seu marido e Sunny deveria fazer o melhor para que aquele casamento desse certo. Um dia, se fosse mesmo uma boa esposa, talvez viesse a am-la, pelo menos um pouco.
Pensou nessa possibilidade com angstia, pois sentia que havia um imenso vazio em sua vida que nenhuma atividade poderia preencher.
O estado depressivo em que Sunny se encontrava no foi alterado pelos comentrios cada vez mais maldosos de sua sogra.
Depois de uma jantar que parecia interminvel, a duquesa-me falou sobre os vizinhos, o governo e o filho morto.
Quando as frutas e os queijos foram servidos, ela prosseguiu:
	 uma pena que Justin no tenha os cabelos loiros e a altura de um Aubrey. Gavin era mais bonito, assim como Blanche e Charlotte so mais lindas do que Alexandra.
Sunny, no se contendo, retrucou:
	Estive estudando os retratos, e o primeiro duque, John Aubrey, tinha cabelos escuros e estatura mediana. Justin e Alexandra se parecem muito mais com ele do que seus outros filhos.
A duquesa-me fez cara de choro e acrescentou:
	O primeiro duque foi um notvel general, mas apesar de me doer muito admitir, no era um homem muito esperto em outros pontos.  uma pena que Justin no tenha morrido em vez do irmo.
Sunny soltou um gritou. Como aquela mulher ousava falar que preferia ver Justin morto no lugar do irmo?! Justin Thornborough era um milho de vezes mais atencioso, educado e possua todas as qualidades existentes em um homem do que Gavin!
Sunny levantou-se, olhou para o marido e viu que pegava tranquilo uma ma, como se no tivesse ouvido o que a me acabara de dizer. Mesmo assim, Sunny notou uma dor profunda naqueles olhos. Se no ia falar nada, ela iria.
	No deve falar assim sobre Justin, duquesa.
	Voc se esquece de quem eu sou, mocinha  a sogra respondeu, sentindo prazer pela batalha que iria comear.  Como me que sofre pela morte de um filho, posso dizer o que quiser!
	E a senhora se esquece de quem eu sou!  Sunny retrucou, decidida a por um ponto final.  Eu sou a duquesa de Swindon e no vou tolerar que falem de meu marido... Na minha casa!
	Como... Como ousa falar assim comigo?
	Ouso porque  a obrigao de uma anfitri manter a educao e as boas maneiras  mesa e de uns tempos para c tem havido muita falta de compostura por aqui!
A duquesa-me levantou-se, furiosa.
	No vou ficar aqui para ser insultada por uma americana impertinente!
Sunny fingiu ter interpretado errado as palavras da sogra e acrescentou:
	Como quiser, duquesa. Entendo que prefira ter sua prpria casa. Se eu fosse viva, faria o mesmo. E a Dower House  um residncia muito aconchegante, no ?
Olhando para Justin, a duquesa indagou:
	Vai permitir que essa americana insolente me mande embora?
Justin olhou da me para a esposa, com evidente embarao. Em silncio, Sunny rezou para que ficasse a seu lado. J tinha dito que ela era a duquesa de Swindon e Sunny no desse um basta naquilo, sua posio se tornaria insustentvel.
	Voc tem reclamado que o aquecimento central lhe d dores de cabea, me  Justin falou.  Creio que  uma excelente ideia mudar-se para Dower House, pois l ficar mais confortvel. Ns sentiremos saudades de voc, mas Dower House no  to longe assim.
Sunny fechou os olhos por um instante, suspirando aliviada. Quando os abriu, o olhar da sogra tinha se voltado para Alexandra.
	A Dower House no  to grande assim para que Alexandra se mude para l, tambm. Ela vai ter que ficar aqui!
Antes que a sogra reconsiderasse, Sunny disse, rpida:
	Isto  verdade. Alexandra fica aqui. At se casar ela pertence  Swindon.
	Se ela se casar  a duquesa-me disse, rspida.
Sabendo que tinha sido derrotada e que a nica maneira de sair dali com dignidade era fazer com que todos pensassem que a ideia da mudana tinha sido dela, continuou:  Voc vai precisar aprender a cuidar de tudo sozinha, Sarah, pois vou fazer uma longa viagem. Acho que passarei o resto do inverno no sudeste da Frana. A Inglaterra  muito fria nesta poca.  E, sem esperar mais, saiu em direo  porta.
Sunny, Justin e Alexandra continuaram sentados em silncio.
Sem ousar encarar o marido, Sunny desculpou-se:
	Eu... Eu sinto muito se desrespeitei sua me, mas... mas no me arrependo nem um pouco.
	Isto  uma contradio  Justin observou. Depois de um longo silncio, ele continuou, como se nada tivesse acontecido:  A propsito, encontrei lorde Hopstead em Londres e ele nos convidou para ir visit-lo um fim de semana e participar do baile em Cottenham. Pensei que ns trs podamos ir, assim voc levaria Alexandra at Paris para que possa comprar roupas.
Aliviada por Justin no ter se referido ao confronto com a duquesa-me, Sunny falou:
	Isso parece maravilhoso! Est pronta para seu primeiro baile, Alexandra? Eu tenho um vestido que ficar lindo em voc, depois de fazermos os devidos acertos!
	Bondade sua  a submissa Alexandra respondeu.
Durante alguns minutos todos discutiram os detalhes da viagem, ningum fazendo qualquer aluso ao que tinha acontecido. Era como se todos ignorassem o fato. Finalmente, Sunny levantou.
	Estou cansada. Se vocs me derem licena, vou para meu quarto.
Sunny sentia a cabea latejar. Mesmo assim estava radiante de alegria. Sem a presena nociva da sogra, a vida em Swindon seria perfeita.
Colocou a camisola e deitou, se perguntando se Justin iria visit-la aquela noite. Fazia isso quando voltava de alguma viagem, mas talvez no fosse v-la, pois ficara ressentido pela maneira como tratara sua me.
Apesar de sentir vergonha, Sunny tinha de admitir que estava gostando daquelas visitas noturnas do marido. Uma noite em particular havia ficado em sua memria. J havia adormecido quando o marido se aproximou da cama. Apesar de ter percebido a presena dele, estava muito sonolenta para esboar qualquer reao.
Em vez de acord-la e perguntar se estava incomodando, Justin deitara-se ao seu lado e a abraara com ternura, comeando a acarici-la nas costas.
Sunny havia ficado embaraada pelas sensaes estranhas que ele provocara ao acariciar seus seios e suas partes ntimas.
Um prazer intenso tomou conta dela, at que, no conseguindo mais se conter, Sunny havia soltado um gemido quase imperceptvel.
Felizmente, ele ficara s nas carcias e quando elas terminaram, Justin continuou deitado a seu lado, adormecendo ali mesmo, abraado a ela. Quando acordou na manh seguinte, ele tinha ido embora. Se no fosse pelo perfume masculino que ainda rescendia no ar e pela marca no travesseiro que havia sido usado, Sunny teria pensado que tudo no passara de um sonho.
Na prxima vez que encontrasse a madrinha, iria lhe perguntar como uma mulher poderia controlar suas prximas sensaes. Ela saberia a resposta, com certeza. At l, s restava se esforar para que Justin no perdesse o respeito que sentia por ela.
Quase podia escutar a me dizendo:
	Voc  uma lady. Comporte-se como tal.
Mesmo assim, ansiava pela companhia do marido e estava quase adormecida, quando escutou o barulho da porta de comunicao se abrindo. Sunny abriu os olhos.
Assim que Justin deitou-se ao seu lado, tocou seu brao para mostrar-lhe que ainda estava acordada. Com delicadeza, abraou-a e acariciou-lhe as costas. Estranhas sensaes apareceram de novo, tornando quase impossvel que Sunny ficasse em silncio, esperando que a penetrasse mais uma vez.
Quando isso aconteceu, a pulsao de Sunny estava to acelerada, que no conseguiu evitar um gemido de prazer.
Imediatamente, Justin parou de se mover dentro dela.
	Estou machucando?
	No...  Ela segurou os lenis com fora, para que no percebesse que havia algo de estranho.  No... Voc no me machucou.
Justin, ento, recomeou os movimentos. A lentido tambm causou estranhas sensaes que Sunny no sabia decifrar e em vez de querer que acabasse logo, ela queria mais... mais.
A respirao de Justin tornou-se acelerada, da maneira que Sunny sabia que se aproximava do fim. Ele soltou um gemido e respirou fundo. Ento, toda a tenso parecia ter se evaporado.
Sunny sentiu a mesma emoo, como se seus sentimentos estivessem interligados. Ficou tentada a colocar os braos ao redor do pescoo de Justin e pedir-lhe que fizesse de novo. Mas ele mantinha-se imvel.
Justin levantou-se, aps algum tempo, da cama e depois de cobri-la devidamente, tocou seus cabelos.
Sunny queria pegar na mo dele e pedir-lhe que ficasse, mas no podia fazer aquilo.
E ento, ele se foi.
Quando a porta de comunicao foi fechada, soltou a respirao, depois rolou at o travesseiro onde Justin tinha repousado a cabea. Sentiu uma espcie de desconforto e dor. Passou as mos pelo ventre e percebeu que o desconforto diminua  medida em que aproximava as mos... Horrorizada, virou-se de costas e abraou o travesseiro.
Sua me e madrinha tinham sido claras ao afirmar que uma mulher no deveria jamais se tocar, a menos que precisasse, como por exemplo, ao tomar banho.
Sunny fechou os olhos e as lgrimas correram livres. Ela estava tentando ser uma boa esposa. Mas pelo que podia ver, uma boa esposa era uma mulher solitria e insatisfeita.
A duquesa-me mudou-se para a elegante Dower Houlevando consigo uma boa parte dos objetos antigos que decoravam Swindon.
Depois, foi para a Riviera Francesa, no sem antes contar aos quatro cantos do mundo como o filho era um estpido e a nora uma insolente.
A nica coisa que Justin sabia que a me no iria fazer era contar a verdade: que uma insolente garota americana havia desafiado os poderes da duquesa-me, no palcio de Swindon.
A vida ficou mais fcil quando a me foi embora, Justin constatou com o passar dos dias. Ele, Sunny e Alexandra passaram a ter um verdadeiro jantar em famlia, com menos formalidades e mais divertimento.
A irm estava desabrochando para a vida, sob a superviso de Sunny e a nica coisa que no estava caminhando bem era seu casamento.
Depois que tinha falado sobre a possibilidade de os futuros duques no precisarem mais se casar por dinheiro, ele e Sunny passaram a se tratar com mais distanciamento.
O que ele tinha querido dizer, na realidade, era que desejava que a situao financeira ficasse em segundo plano, ao escolher uma esposa.
Sunny tinha acreditado que a escolhera s pelo dinheiro, no dando valor quando dissera que teria se casado com ela de qualquer maneira.
Percebendo que se insistisse em dar maiores explicaes complicaria ainda mais sua situao, Justin no tocara mais naquele assunto. Sunny era educada, atenciosa e, ao mesmo tempo, distante.
Se tivesse pedido, talvez conseguisse controlar o desejo e parar de visit-la  noite. Mas ela no falava nada, e ele no tinha foras suficientes para acabar com as visitas.
Quando comearam os preparativos para o baile em Cottenham Manor, ele esperou que o retorno de Sunny  sociedade fizesse bem a ela, pois merecia a alegria e a admirao das pessoas.
Apesar de querer v-la feliz, a descoberta de que seria admirada por outros homens, fez com que Justin estremecesse.
Se Sunny estava infeliz no casamento, quanto tempo demoraria para que olhasse com interesse para um outro homem?
Se quiser criar problemas, arranje uma esposa.

CAPITULO VIII

Cottenham Manor Maro
Cottenham Manor, de propriedade dos Hopstead, era uma propriedade to grande e luxuosa quanto o palcio de Swindon.
Lorde e lady Hopstead eram famosos pelas festas animadas que patrocinavam e Sunny j havia estado ali no vero anterior.
E um prazer estar de volta, Sunny pensou, enquanto a criada colocava o colar de diamantes em seu pescoo.
	Mademoiselle parece feliz  Antoinette observou, assim que comeou a colocar os brincos.
Sunny olhou-se no espelho.
	Eu estava esperando por esse baile h semanas.  uma tradio muito injusta fazer com que uma mulher recm-casada fique em casa durante longos meses depois  do casamento.
	Mas pense no quanto vai se divertir depois do inverno, quando for para o campo.
	 verdade.
Sunny estava usando um suntuoso vestido azul, todo brocado, mais uma criao de Worth, exclusivo para ela, e estava pronta para ser admirada.
Deve se sentar para que eu coloque a tiara  Antoinette pediu.
Obediente, Sunny sentou-se de novo.
A tiara era da famlia de Justin h sculos e era toda incrustada de diamantes. Aquela pea pesada costumava lhe dar dor de cabea, mas no seria de bom tom uma duquesa aparecer num baile sem uma tiara, principalmente porque o Prncipe de Gales estaria presente.
Uma batida na porta tirou Sunny de seus devaneios.
Antoinette atravessou o quarto e abriu-a, deixando Alexandra entrar.
A cunhada usava o vestido em seda branco que Sunny escolhera para ela. Seus cabelos negros estavam presos no alto, deixando  mostra o pescoo e o incio do colo.
	Est maravilhosa!  Sunny exclamou.  D uma volta.
A moa, mesmo ruborizada, obedeceu-a.
	Voc estava certa sobre o vestido  Alexandra murmurou.  Apesar de no ter sido feito para mim, me caiu muito bem.
	Ficou melhor em voc do que em mim, Alexandra. Voc ser a mais linda do baile. Pode ter certeza disso.
	No, voc ser. Mas ao menos sei que no parecerei uma plebeia.
Uma outra batida na porta e Justin entrou.
	Est na hora de descermos para jantar. Logo em seguida comear o baile.
Sunny desejava que houvesse muitos convidados, pois assim, talvez, fossem alojados no mesmo quarto. Mas, ao mesmo tempo, sabia que aquilo seria impossvel.
A noite passada, dormira sozinha. Quem sabe essa noite...
Depois de Justin ter olhado para as duas com ateno, ele disse:
Vocs duas sero as mulheres mais lindas do baile. Alex, tenho certeza de que antes da noite terminar, terei uma lista de vrios pretendentes  sua mo.
Justin ofereceu um brao a cada uma e os trs desceram juntos para o imenso salo de jantar.
	Voc vai danar comigo essa noite?  Sunny perguntou.
	E voc danaria com seu marido?
	Por favor... Eu sei que no est na moda danar com o marido, mas tambm no  to condenvel assim.
Justin sorriu-lhe daquela maneira que costumava fazer.
	Ento, ser um prazer.
Ao chegarem ao salo de jantar, o corao de Sunny batia descompassado.
O baile dos Hopstead foi divertido e Sunny ficou feliz por rever pessoas que no via h algum tempo.
Durante o intervalo logo aps a quarta dana, de longe notou a madrinha, que tambm tinha sido convidada e usava um vestido de seda azul e prateado.
	Tia Katie!  Sunny abraou a madrinha.  Eu tinha certeza de que a encontraria aqui. No est hospedada em Cottenham, est?
	No. Estou com os Howard. Todas as manses desse distrito esto repletas de convidados que vieram para o baile. Voc est tima. A propsito, no...
	Por favor, tia, no me faa a mesma pergunta que centenas de pessoas j fizeram. Estou comeando a sentir que sou um fracasso.
	No tem lgica o que est dizendo! Voc est casada h poucos meses.  todas ns gostmos de falar da vida de algum to importante e, goste ou no, voc  objeto de grande interesse.
Sunny fez uma careta.
 Haver uma outra herdeira a atrair a ateno' da sociedade, muito em breve.  Sunny olhou na direo de Alexandra.
As duas continuaram a conversar por mais alguns minutos e marcaram um compromisso para a manh seguinte. Ento, Sunny olhou para o lado direito, onde pensava estar Justin e seu corao comeou a bater mais apressado. L estava Paul Curzon, alto e ainda muito bonito.
Como se pudesse pressentir o olhar de Sunny, ele se virou e por um instante, seus olhares se encontraram.
Chocada pela maneira como seus joelhos comearam a tremer, Sunny pegou no brao da madrinha e falou:
 Preciso ir agora. Vejo-a amanh.
Sunny virou-se e, sem perceber que esbarrava nos outros convidados, abriu a primeira porta que encontrou.
Escapar dali era mais importante do que ter boas maneiras.
Em todos os bailes, era normal que algum poltico tomasse a palavra e o que no passaria de uma simples conversa, se tornasse uma oportunidade para uma preleo.
Justin ouvia o que um ministro falava, quando viu que a esposa saa do salo de bailes, com o rosto plido. Ele estremeceu, pensando que ela, talvez, estivesse se sentindo mal.
Estava prestes a pedir licena ao ministro, quando viu Paul Curzon seguir atrs de Sunny.
O rosto de Justin ficou lvido, s em pensar no que poderia acontecer entre os dois.
Percebendo sua expresso, o ministro disse rpido:
 Eu juro, sua excelncia, que o esquema  correto. Se desejar, posso mostrar-lhe os nmeros...
Justin percebeu que no conseguia sequer se lembrar do que o homem estivera falando.
 Mande-me suas anotaes e darei uma resposta na prxima semana.
Desejando que estivesse errado, caminhou na direo de onde a esposa e o homem que deveria ainda amar haviam desaparecido.
Sem saber, Sunny havia chegado at o jardim interno. Ele ficava do outro lado do salo de bailes, e, como previra, estava sozinha, lugar perfeito para seu refgio.
Apesar de ter chovido no comeo da noite, ali dentro a temperatura era amena e agradvel. Respirou fundo, e pde sentir o aroma delicado das flores.
Era uma estupidez ter perdido o controle pelo simples fato de ver Paul Curzon, pois sabia que acabariam se encontrando. Embora no pudesse prever que seria naquela noite. Talvez, se tivesse se preparado, aceitasse a presena dele sem maiores constrangimentos.
A honestidade compeliu-a a admitir que no primeiro instante havia sentido a mesma excitao de quanto pensara que o amava. Quando pensara que ele a amava, antes de ter descoberto seu mau-carter.
Como sempre, a natureza tinha o poder de faz-la voltar ao seu estado normal. Se no estivesse com um vestido de baile, com certeza, iria dar uma volta pelo jardim e descobrir uma ou outra espcie diferente de planta. Em vez disso, abaixou:se e cheirou uma rosa vermelha que exalava um delicado perfume.
Ao se levantar, uma voz familiar soou s suas costas.
	O jardim foi uma perfeita escolha, querida. Ningum poder nos ver aqui.
	Paul! Eu... Eu no vim aqui para me encontrar com voc, mas para fugir! Ns no temos mais nada a nos dizer.
Infelizmente o caminho para a sada passava por ele. Assim que tentou desviar-se, ele a segurou pela mo.
	Sunny, no v embora ainda. Sinto muito se entendierrado, mas eu queria tanto v-la... Eu cometi o maior erro de minha vida com voc. Ao menos me d a chance de me desculpar.
Relutante, ela parou.
	No estou interessada em suas desculpas.  Assim que falou, percebeu que parecia estar sendo sincero.
	Se no vai me deixar pedir desculpas, ento deixe-me dizer o quanto a amo. No sabia disso, at que a perdi.
Lembrando-se de que Paul tambm parecera honesto, antes que machucasse seu corao, Smny tentou libertar-se.
	Talvez pense que me ame porque me perdeu. No  assim que homens como voc costumam agir?
	Isto  diferente!  Gritou.  O fato de que esperava casar-se comigo, foi a coisa mais linda que poderia, me
acontecer. Mas fui cego e agora estou pagando por minha ignorncia. Ns dois!
	No vejo razo para estar falando dessa maneira.
O passado no pode ser mudado... E estou casada, agora.
 Talvez o passado no possa mesmo ser mudado, mas o futuro sim!  Ele colocou as mos nos ombros de Sunny.  O amor  precioso demais para jog-lo fora.  Paul acariciou-lhe o rosto.  Voc  to linda, Sunny. Nunca amei uma mulher como a amo.
Ela sabia que deveria interromp-lo, porque no o amava e nem estava acreditando naquelas palavras. Entretanto seu corao estava ansioso por ouvir palavras de amor... Mesmo que fossem falsas.
Paul aproximou-se ainda mais e Sunny sentiu-se paralisada. Poderia empurr-lo a qualquer momento, pois pressentia que iria beij-la, todavia, s por um instante, o deixaria pensar que estava acreditando.
O jardim parecia imenso e Justin tomou o caminho errado vrias vezes, at ver Sunny e um homem bastante prximos. Aproximou-se e rezou para que estivesse errado. Mas, mesmo atravs da densa vegetao, distinguiu a esposa nos braos de Paul Curzon.
A dor que sentiu no peito foi a pior que jamais sentira antes. Por um momento, permaneceu imvel, sentindo o sangue veloz em suas veias. Depois, a fria se apossou dele e Justin se aproximou.
	Se esperam que eu seja um marido complacente, esto enganados!
Sunny e Paul se afastaram e Justin percebeu que continuava plida. Puxou a esposa pelo pulso e afastou-a ainda mais de Paul.
Depois, olhou para o rival e disse ameaador:
	Se voc se aproximar de minha esposa, eu o destruirei.
	No precisa falar assim, amigo  retrucou Curzon.  Foi apenas um beijo entre amigos.
	Eu o destruirei!  Justin enfatizou bem cada palavra.
Quando percebeu que Paul estava assustado pela maneira como falara, Justin virou-se e saiu levando consigo a esposa. Quando Sunny tropeou e ele no fez o menor movimento para parar, ela gritou:
	Justin, no  o que voc est pensando!
	A mim me pareceu um beijo. Ou estou errado?
	Sim, mas... No significou nada.
	Se beijos no significam nada para voc, quer dizer que poder vir a faz-lo com outros homens?  Justin perguntou, amargurado.  Ou s com aqueles que obtenham sua permisso?
	Voc est me interpretando mal! Eu vim at aqui para fugir de Paul, no para encontr-lo! Sei que no deveria ter permitido que me beijasse, mas... No sei o que aconteceu... Penso que  porque j tivemos um envolvimento antes.
	E se eu no tivesse chegado, eles se tornariam mais profundos, no ? Se tivesse chegado cinco minutos mais tarde...
Chegaram ao jardim que havia atrs da manso, onde vrios casais andavam de mos dadas, se refrescando depois de mais uma dana.
	Tire as mos de mim!  Sunny pediu.  O que os outros vo pensar?
	Eu no me importo nem um pouco com o que possam pensar.  Justin comeou a subir as escadas, ainda segurando-a pelo pulso.
Ao chegar  porta do quarto de Sunny, ele a abriu. Entraram e ele trancou a porta  chave.
Sunny olhou assustada para ele. Justin parecia outro homem e comeou a ficar com medo do que ele pudesse vir a fazer.
	Na Idade Mdia, poderia trancafi-la numa torre ou colocar um cinto de castidade em voc. H cem ano atrs, poderia desafiar qualquer homem que chegasse perto de voc, para um duelo. Mas o que um homem pode fazer com a esposa infiel nos dias de hoje?
	E o que me diz de marido infiel?  Sunny retrucou.
 Eu sempre ouvi dizer que homens como voc sempre tm uma amante.  esse o real motivo que o leva a Londres de vez em quando? Uma outra mulher? Uma com a qual voc no pde se casar, porque precisou se casar por dinheiro?
 Eu nunca toquei, nem olhei outra mulher desde que a conheci e esperava que pudesse dizer o mesmo em relao a outro homem. Mas j que decidiu agir como uma... Vadia,  assim que ser tratada.
Justin disse isso e beijou-a com violncia.
Sunny pensava que aqueles meses de casamento a haviam preparado para o que acontecia entre marido e mulher, mas nada a preparara para o que Justin dissera.
Prisioneira dos braos dele, no conseguia sequer esboar o menor protesto. Mesmo se quisesse resistir, qualquer esforo lhe parecia intil.
Justin devorava-a com os beijos sucessivos, cada vez mais exigentes e profundos e Sunny sentiu quando a tiara caiu no cho, soltando seus cabelos.
Os dedos de Justin percorriam-nos, agora, numa carcia provocadora, enquanto seus lbios procuravam por algo que Sunny sequer desconfiava.
	Oh... Sunny, voc  to linda...  disse, angustiado.  To linda...
Em seguida, Justin tirou o colar de Sunny, colocando-o sobre o criado-mudo e comeou a desabotoar-lhe o vestido.
Sunny abriu a boca para protestar, contudo antes que pudesse fazer isso, ele beijou-a de novo, descendo em direo ao seu pescoo, onde Sunny experimentou sensaes at ento desconhecidas.
Justin foi descendo at os ombros de Sunny, fazendo-a gemer baixinho, sentindo a respirao cada vez mais alterada.
Quando conseguiu abrir-lhe o vestido, Justin puxou-o para baixo, deixando  mostra os ombros de Sunny.
Instintiva, Sunny levantou as mos, numa tentativa de encobrir as partes expostas.
	Isso... Isso no est certo  ela murmurou.
Justin no deu ouvidos e desabotoou-lhe o espartilho, para que casse ao cho, deixando Sunny completa nua, parada  sua frente.
	Voc gosta disso?  ele perguntou baixinho, com os lbios encostados no ouvido de Sunny.
Ela queria negar, mas no conseguiu. Horrorizada pelo que estava prestes a acontecer, deu um passo atrs, encostando-se na parede.
	Eu nunca cumpri devidamente minha obrigao de esposa, eu sei, mas... Isso no me parece certo.
	Hoje, o que eu quiser  que ser o certo.  Justin olhou-a e comeou a tirar sua prpria roupa, com movimentos impacientes.  E, desta vez, eu a verei nua e no claro.
Sunny no conseguia desviar os olhos de Justin, ao perceber que tirara toda a roupa. Seu corpo era firme e msculo e fazia com que tremesse inteira. Os msculos bem definidos podiam ser vistos sob a pele clara. Os cabelos negros que cobriam seu peito, desciam numa trilha sensual e o arrogante rgo masculino, que ela j sentira, mas nunca vira antes, erguia-se majestoso.
Ela ficou imvel por alguns segundos, mortificada e fascinada, depois corou e fechou os olhos.
No era  toa que casais normais tinham relaes no escuro, Sunny pensou. O corpo masculino era perturbador.
Uma valsa vienense podia ser ouvida  distncia e Sunny quase no acreditou ao pensar que abaixo deles, centenas de pessoas estavam rindo, danando e se divertindo.
Mesmo com os olhos fechados, Sunny tinha plena conscincia da nudez do marido, quando ele a tomou nos braos de novo, murmurando palavras carinhosas em seu ouvido.
A respirao de Justin comeou a se alterar e seus dedos comearam a explorar o corpo feminino, deixando um rastro de fogo por onde passavam.
Sunny respirou fundo, quando Justin pegou-a no colo e colocou-a sobre a cama, no deixando de beij-la nem por um segundo. Apesar de tentar controlar as emoes que sentia, ela arquejou de prazer quando Justin mordiscou-lhe os bicos dos seios.
No importava o quanto tentasse, no conseguia mentir que estava adorando cada segundo daquelas carcias. E quando Justin deitou-se sobre ela, Sunny j estava mais do que pronta para fazer amor com o marido.
Porm, Justin queria mais. Ele queria uma comunho de sentimentos, assim como de corpos. Queria ter conscincia do poder que exercia sobre ela.
	Voc me deseja?  ele indagou.
	Voc... Voc  meu marido.  Sunny virou a cabea para o lado, como se quisesse se esquivar de responder.
  minha obrigao atender aos seus desejos.
Mera obedincia no era o que Justin queria da esposa. Por isso, repetiu a pergunta:
	Voc me deseja?  Lentamente, ele comeou a se levantar. : Se no, talvez seja melhor parar agora.
	No!  gritou, segurando-o pelo brao.  No me deixe agora, por favor. Eu no suportaria isso...
Aquilo era tudo o que Justin queria ouvir.
Sunny no era mais uma esposa passiva e sim, uma companheira plena de paixo, pois comeara a acarici-lo nas costas, fazendo-o gemer de prazer.
Ela gritou alto quando o clmax chegou em pouco tempo. Quando estavam saciados, Justin puxou o cobertor sobre eles, e a abraou apertado, sabendo que dali em diante tinham se tornado, de fato, marido e mulher.
Justin no tinha certeza de quanto tempo tinha dormido. O baile j devia ter terminado, pois a msica no podia mais ser ouvida e l fora ainda estava escuro. Permaneceu deitado, tendo Sunny nos braos, acariciando-lhe os cabelos com carinho. Nunca sentira tamanha alegria e aquela sensao de paz, antes. No s porqu Sunny era a mulher mais doce e adorvel, mas por que tinha conseguido despertar nela o desejo. E agora que haviam descoberto um ao outro, suas vidas seriam diferentes.
Nesse instante, Sunny entreabriu os olhos. Por um longo momento, ficaram se olhando. Justin se preparou para fazer uma declarao de amor como nunca havia feito antes, mas Sunny falou primeiro, num fio de voz:
	Quem  voc?
Justin sentiu um frio percorrer-lhe a espinha. Ser que estava fora de si?
	Seu marido,  claro.
Sunny balanou a cabea.
	Voc  mais estranho para mim agora, do que quando nos casamos.
Justin desviou o olhar.
Ele tinha desejado possu-la de corpo e alma. Mas o fato era que apesar de ter conseguido faz-la sentir emoes nunca sentidas, no significava que de um minuto para o outro passara a am-lo. Percebeu que em sua nsia de am-la, s tinha conseguido tirar-lhe a inocncia e a dignidade.
A declarao de amor morreu em sua garganta e disse, sentindo uma dor profunda no peito:
	Eu ainda sou o mesmo homem, Sunny.
Queria dizer mais, desculpar-se e pedir pelo perdo de Sunny, mas ela se virou e enterrou o rosto no travesseiro.
Sentindo que agiria melhor se sasse, Justin levantou-se e vestiu-se depressa.
Assim que saiu, ele se perguntou se teria coragem de olhar novamente para a esposa.

CAPITULO IX

Sunny acordou na manh seguinte ainda confusa.
A nica coisa que tinha certeza era de que no conseguiria olhar para as outras pessoas, vidas de curiosidade. Com um gemido, rolou na cama e se esforou para no pensar em nada.
Porm, sua cabea recusava-se a obedec-la. No con-. seguia deixar de pensar onde Justin estaria e o que pensava sobre o que havia acontecido. Estava envergonhada por tudo o que tinha feito e falado ecom raiva do marido por ter conseguido tudo aquilo dela.
Justin dissera que passaria a trat-la diferente e foi como procedeu durante aquele ataque.
Pela primeira vez na vida, Sunny entendeu por que uma mulher escolhia ir para um convento. Um lugar sem homens era bem mais simples.
Depois de algum tempo, Antoinette surgiu e, antes de abrir um pouco as cortinas, indagou:
	Mademoiselle no se sente bem esta manh?
	Estou com dor de cabea e quero ficar sozinha.  Lembrando-se de suas obrigaes, Sunny acrescentou:
 Diga a lady Alexandra para no se preocupar comigo. Creio que estarei melhor por volta da hora do almoo.
Seguiu-se um longo silncio. Mesmo com os olhos fechados, Sunny sabia que a criada olhava para a cama desarrumada e tirava suas prprias concluses.
	Depois que arrumar o quarto, sairei  ela disse, com muito tato.  Talvez mais tarde, queira uma xcara de ch com torradas.
	Talvez  murmurou Sunny.
Assim que a criada limpou os vestgios da noite que Sunny havia vivido, algum bateu  porta. Era o mordomo:
	Monsieur deixou uma bilhete.
	Deixe-o em cima da mesa.
Depois que a criada saiu, Sunny levantou-se e ao colocar o p no cho, deu-se conta de sua nudez. Pior, seu corpo todo estava dolorido e havia algumas marcas dos beijos de Justin nos seios e no colo. No entanto, seu corpo no era a nica coisa que ficara marcada naquela manh...
Com o rosto corado, Sunny pegou a primeira roupa que viu  sua frente e jogou sobre si. Depois, penteou os cabelos com vigor, prendeu-os num coque e, como no tivesse mais motivos para atrasar a leitura do bilhete, pegou-o. E o que leu deixou-a ainda mais confusa:
"Sinto muito. Thornborough."
Ele sentia muito... Mas o qu? Pelo casamento? Por ter despertado a mulher que existia dentro dela? Por ter feito amor daquela forma to... Virulenta?
Justin assinara como Thornborough e isso significava que a intimidade que Sunny pensara houvesse existido antes, se tratava de mera iluso.
Apertando o bilhete desatou num choro convulsivo, interrompido por outra batida na porta.
	No quero companhia!  Gritou. Mas, mesmo assim, a porta abriu-se e entrou Katie Westron, trajando um modelo prprio para a manh, com uma bandeja nas mos.
  tarde e ns j devamos estar viajando h uma hora.  Ela colocou a bandeja na mesinha lateral e se sentou na beirada da cama.  Voc me parece muito mal, querida. Ouvi dizer que Thornborough deixou Cot-tenham esta manh, com a mesma expresso.
Ento ele tinha ido! Aparentemente, no queria estar sob o mesmo teto que ela, nem um minuto a mais. Tentando disfarar a dor que sentia, Sunny perguntou:
	As pessoas... Esto falando?
	Algumas, mas no tanto depois que eu disse que ele estava mesmo planejando voltar para Swindon hoje, a negcios.  Lady Westron abriu at o fim as cortinas para que o quarto recebesse um pouco mais de luz.  E como deixei bem claro, quem no ficaria exausto depois de uma noite como a de ontem?

	Justin planejava ir embora s amanh.  Sunny esboou um sorriso.  Voc mentiu muito bem.
	Obrigada. - Katie preparou duas xcaras de caf e estendeu uma na direo de Sunny.  Uma boa xcara de caf  o melhor remdio para deixar os pensamentos em ordem. Coma um pedao de bolo, tambm. Est uma delcia.  Depois de tomar um gole do caf, Katie indagou:  Poderia me dizer por que vocs dois esto assim?
O caf conseguiu clarear as ideias de Sunny e decidiu que no poderia ter uma ouvinte mais atenta do que a madrinha. Por isso, resolveu contar tudo com todos os detalhes. Quando terminou de relatar o que havia acontecido, indagou:
	O que acha?
	Voc est assim... Por qu?  Lady Westron res pondeu com mais uma pergunta.
	No entendo meu casamento, meu marido e nem eu mesma. Acho Justin incompreensvel. Antes, pensava que ele era educado e indiferente a mim. Agora, penso que me despreza ou no teria me tratado com tanto desrespeito.
	Voc quer terminar esse casamento?  Katie mordeu outro pedao de bolo.
	 claro que no quero o divrcio!
	Por que diz:  claro! Haver um escndalo, com certeza e em algumas rodas sociais mulheres divorciadas no so bem vistas, mas sendo uma Vangelder conseguir superar tudo isso.
	Isso... Isso seria humilhante para Thornborough. Se eu o deixasse, as pessoas poderiam pensar que me tratou mal.
Katie arqueou uma sobrancelha, antes de retrucar.
	No acabou de dizer que foi o que ele fez?
	Porm, de vrias maneiras teve muita considerao por mim.  Sunny pensou no banheiro que havia mandado reformar e quase conseguiu sorrir. No foi l um presente muito romntico, talvez, mas um que lhe proporcionava conforto e prazer.
	 uma tola se estiver s pensando no embarao que vai provocar em Thornborough  Lady Westron falou.  Sendo um duque, no ficar arruinado. Poder encontrar uma outra esposa com um simples estalar de dedos. A prxima pode no ter o seu dote, mas tudo bem, pois o telhado de Swindon j foi reformado e com a separao ele ganhar uma enorme quantia de sua famlia. O que interessa  que voc estar livre para encontrar um outro marido melhor.
O simples pensamento de ver Justin com outra esposa irritou Sunny.
	No quero um outro marido!  ela gritou.  Na realidade, no consigo me imaginar casada com ningum mais. Me parece errado... Imoral.
	Oh... E o que h de to especial em Thornborough?
Pelo que me disse, foi bastante grosseiro com voc... E no  um homem considerado bonito.
	Ele no  grosseiro!  gentil, inteligente, apesar de um pouco quieto. Tem senso de responsabilidade, que muitos homens na mesma posio no tm. E  tambm, um homem muito atraente!
A madrinha sorriu.
	Voc parece uma mulher apaixonada pelo marido.
	Mesmo?  Sunny pensou por alguns segundos na quilo e ficou chocada ao constatar que era verdade. Ficava feliz com a presena de Justin e, de alguma forma, confiava nele.  Mas ele no me ama... Nem sequer me respeita mais. A noite passada disse que havia me comportado como... Como uma mulher... Bem... Voc sabe...
E iria me tratar como tal.
	Ele a machucou?

	No, mas... Ofendeu minha moral. Na realidade, devo confessar que no me" comportei como deveria.
	Em outras palavras, seu marido vinha fazendo amor com voc de forma fria. Quando voc descobriu que era bom e correspondeu s carcias dele, sentiu-se envergonhada, no ?
O sangue sumiu do rosto de Sunny, deixando-a plida.
	Como... Como sabia disso?
Katie colocou a xcara na bandeja e sentou-se mais perto da afilhada.
	 chegada a hora de termos uma conversa franca. Acho que sua me contou-lhe que uma mulher decente no deve nunca gostar do que acontece em cima de uma cama e que o silncio e a paralisao nessa hora eram marcas registradas de uma verdadeira dama.  Depois de olhar para Sunny, lady Westron continuou:  H muitas pessoas que concordam com ela, contudo um outro grupo de pessoas diz que no h nada de errado em sentirmos prazer nesse nosso corpo que Deus nos deu. Aquela msica Song of Solomon  um hino ao amor espiritual e fsico.
	Mame diria que est blasfemando.
	Augusta  uma das amigas mais antigas e queridas que tenho, mas ela e seu pai tiveram formas de ver o casamento distorcidas. Satisfao na cama leva um casal a viver bem, e quanto mais a mulher agradar o marido, mais apaixonado ficar, e vice-versa, devo acrescentar. Se no tivesse crescido acreditando que ter prazer na cama  imoral, teria apreciado a paixo e a intimidade que vivenciou a noite passada?
A ideia era to absurda que Sunny ficou sem ar. Havia sido instruda para ficar esperando pelas visitas de Justin e fazer o possvel para que terminasse logo, satisfeito. A constatao de que o que sentira no era imoral era inacreditvel.
As lembranas da noite passada vieram com mais detalhes na mente de Sunny. Apesar do episdio ter sido constrangedor houve momentos de deleite, quando ela e  o marido pareciam ser uma s pessoa.
	Gostaria de ter certeza de que est certa, mas para qu, se amo meu marido e ele me despreza? Justin nunca me disse uma s palavra de carinho!
Katie sorriu.
	Os homens britnicos foram ensinados a conter seus sentimentos e quanto mais profundos, mais dificuldades encontram para revel-los. Pela minha experincia, os homens que falam com mais facilidade no amor so aqueles que repetem com mais frequncia que amam uma mulher. Quanto mais um homem demora para entregar seu corao, mais precioso  o presente e menos adepto  de declaraes de amor. Todavia, os fatos so melhores do que palavras e uma gesto genuno de carinho vale mais do que muitas palavras.
De sbito, Sunny lembrou-se de que Justin tinha dito que nunca olhara nem tocara outra mulher desde que a conhecera. Se aquilo fosse verdade... Tratava-se de uma verdadeira declarao de amor!
	Acha que  possvel que ele me ame?  Sunny perguntou, sentindo as lgrimas rolarem pelo rosto.
	Voc deve saber melhor do que eu. Ele parece o tipo de homem que faria mais do que falaria. Os homens so criaturas simples e para eles, o amor e a paixo esto sempre juntas. Se a ama de uma forma apaixonada, o tipo de relacionamento que vocs esto vivendo deve ser muito difcil para ele.
	A nica maneira de descobrir  entregar-lhe meu corao e ver se ele o aceita.. Ou rejeita, no ?
	Receio que sim.  Katie balanou a cabea afirmativa.  Todos os casamentos tm altos e baixos, principalmente nos primeiros anos. Eu j fiquei numa situao semelhante, onde tive de arriscar o que poderia ter se transformado numa humilhante rejeio. No foi fcil, mas o resultado foi compensador. Primeiro voc tem de se perguntar o que quer do casamento.

	Amor, companheirismo, filhos. No quero ficar afastada da sociedade, entretanto o mundo moderno nunca ser o centro de minha vida, da mesma maneira como  para minha me. Talvez se meu pai no tivesse trabalhado tanto, ela no levasse a vida frvola que tem.
	Sempre suspeitei que muitas pessoas no mundo so o resultado da vida miservel que levam em casa.  melhor esperar at que voc e Thornborough tenham tempo para pensar nesse triste episdio. Voc tinha planejado levar Alexandra a Paris, no ? No seu lugar, eu seguiria os planos originais. Isso dar tempo a voc de pensar e decidir como deve proceder.
	Vou precisar disso.  Sunny abraou a madrinha.
 Muito obrigada, tia Katie. O que posso fazer para retribuir sua ateno?
	Quando ficar velha e esperta como eu, pode dar esses conselhos a uma outra garota confusa. Isso  o que uma velha e excntrica tia me disse um dia, quando me mandou de volta ao meu marido, depois de uma briga.
Sunny assentiu.
	Prometo passar essas experincias a quem quer que precise.
Porm, antes que tivesse condies de dar conselhos, deveria se concentrar em seu prprio casamento. E isso, ela sabia, era mais fcil falar do que fazer.

CAPITULO X

Alexandra olhou pela janela da carruagem.  Estamos quase chegando em casa!  difcil acreditar que samos de Swindon s h um ms! Eu me sinto anos mais velha!
	Paris tem esse efeito sobre as pessoas. Voc mudou, tambm. Saiu daqui como uma garotinha assustada e voltou uma moa.  Sunny sorriu, tentando manter-se firme.
	Espero que sim. Vou subir direto para o meu quarto experimentar as roupas que Worth fez! Depois, vou abrir as cortinas e ler a nova novela de Rider Haggard que comprei em Londres. Apesar de Paris ser maravilhosa, no h nada melhor do que um bom livro.
Linda e graciosa, Alexandra nunca mais seria chamada de Gargoylette e a diferena estava nas roupas. Agora estava livre da influncia maligna da me e desenvolvendo a confiana e si, o respeito e o amor prprio que seriam de grande utilidade quando elegesse um homem - para entregar o corao.
A carruagem parou em frente da porta principal do palcio e um empregado de libr abriu a porta e ajudou-as a descer. Mesmo aps ter vivido em Swindon por alguns meses e durante aquele tempo ter sido muito feliz, Sunny sentiu um estranho frio percorrer-lhe a espinha, ao olhar para o jardim.
A primavera havia chegado e as flores estavam lindas. O sol quente como se estivessem em pleno vero, parecia acariciar as plantas.
Assim que chegaram ao hall, Sunny perguntou ao mordomo:
	Meu marido est em casa?
	Acredito que o duque esteja aproveitando esse tempo para trabalhar no templo grego. Devo inform-lo de sua chegada?
O corao de Sunny parecia querer saltar-lhe pela boca. Pensara que ainda teria algumas horas antes de encontrar-se com ele, para discutirem sobre o casamento, mas talvez o quanto antes fosse melhor.
	No. Vou dar uma volta e fazer-lhe uma surpresa.
Assim que comeou a subir as escadas em direo ao quarto, Daisy apareceu correndo.
	Daisy! Oh, querida, eu tambm senti muito a sua falta.
No mesmo instante, os dois wolfhounds apareceram e correram na direo de Alexandra que os acariciou bastante, antes de tambm subir para o quarto.
Sunny escolheu a roupa mais confortvel e bonita que havia comprado em Paris e que combinava com a cor de seus olhos. Depois, foi at o espelho, penteou os cabelos e prendeu-os com uma fivela. Aprovando o que via, saiu do quarto e foi ao encontro de Justin no jardim.
Uma brisa fresca soprava naquele fim de tarde, trazendo um delicioso perfume das flores do templo grego, onde Justin estava.
Ele sabia que deveria ter ficado era casa, cuidando da correspondncia que comeara a se avolumar, todavia no conseguira pensar em mais nada que no fosse a esposa.
Toda a dor, culpa e amor angustiante tinha se intensificado desde aquela noite, quando chegara a pensar que ambos formavam um s corpo.
Sunny havia lhe enviado uma nota impessoal de Paris. Apesar de aquilo ter demonstrado que no tinha o menor sentimento, tambm servira para provar que voltaria para casa, como se nada tivesse acontecido.
	Bom dia, Justin  a voz de Sunny soou, tirando-o de seus pensamentos.
Olhou para ela, parada na porta do templo e por um instante, chegou a pensar que todo o desejo que sentia deveria ter se revelado em sua expresso. Queria cruzar aqueles poucos metros que os separavam e tom-la nos braos, para nunca mais deix-la. Todavia no o fez, pois parecia pronta para fugir se esboasse o menor sinal para se aproximar.
	Espero que tenham feito uma boa viagem. Eu no as esperava antes de amanh.
	Decidimos vir antes, porque no queramos passar mais uma noite fora.

	Fico feliz com isso. A casa parecia vazia sem vocs duas.Com receio de encar-la, Justin virou-se e continuou mexendo no canteiro. O impacto da presena da esposa havia tirado toda sua concentrao e se esquecera de todas as palavras romnticas que tinha ensaiado para dizer-lhe.
	Tenho boas notcias. Eu... Bem... Tenho quase certeza... De que estou grvida.
Sua primeira reao foi de felicidades, no entanto se lembrou do que Augusta Vangelder tinha lhe dito. Uma vez Sunny ficando grvida, ele teria de se abster de ir visit-la  noite. O fato de Sunny ter contado a novidade mais como um trunfo, fez com que Justin sentisse um calafrio estranho.
Se desse  luz um menino, sua obrigao em continuar com o nome dos Aubrey estaria terminada e o casamento poderia terminar. Se ele tivesse levado um tiro no estmago teria dodo menos do que aquela constatao.
Durante o ltimo ms sozinho, Justin havia resolvido conversar com a esposa, quando fosse visit-la  noite. Se estivesse receptiva, talvez at conseguissem ficar mais ntimos, manter um relacionamento mais cordial. Agora, todas as suas esperanas tinham ido por gua abaixo; nenhuma discusso entre eles seria possvel.
_- Excelente! Espero que esteja se sentindo bem. Ela assentiu.
Depois de mais uma pausa, ele disse:
	Bom... Mesmo assim,  melhor chamarmos um mdico de Londres para examin-la.  Justin se aproximou.  No precisa se preocupar... No irei visit-la mais  noite. Muito bem. Estou um pouco cansada. Acho que vou entrar e descansar. Talvez pea para me servirem o jantar no quarto.
	 claro. Precisa se cuidar direito.
De cabea erguida e passos firmes, ela se virou e comeou a sair do templo.
Justin ficou olhando enquanto Sunny ia embora.
Sua respirao se alterara e ele tentou no perder o controle. Sentia que alguma coisa em seu peito havia se quebrado e no podia deix-la partir.
	Sunny!  gritou, correndo ao seu encontro. Ela parou e se voltou.  Quero pedir desculpas pelo que aconteceu em Cottenham. Sinto por t-la tratado to mal.
	Voc estava dentro de seus direitos e sua raiva era justificada.
	Talvez, mas isso no me d o direito de mago-la.
Isso no vai acontecer mais.
	E eu deveria ficar agradecida por isso? Aquela noite foi muito triste, mas foi a nica vez durante nosso casamento que voc demonstrou sentir algum sentimento por mim. Comecei a achar que at a raiva era melhor que a indiferena. Ns no podemos continuar a viver como estranhos, Justin. Eu no suporto mais.
As palavras de Sunny tiveram a fora de um tufo, quase conseguindo fazer com que Justin perdesse o equilbrio. Parecia impossvel que o casamento deles terminasse daquela maneira, num dia ensolarado e cheio de promessas. Apesar de saber que no conseguiria sobreviver sem ela, de alguma maneira Justin precisava achar foras para deix-la prosseguir.
	Se quiser se ver livre de mim  ele disse, por fim. Saiba que no colocarei nenhuma barreira.
	 o que quer? Terminar nosso casamento, agora que arrumou aquela porcaria de telhado?
	Quero v-la feliz, Sunny. E pode ter certeza de que farei o impossvel para que consiga isso.
	O que eu quero  ser uma esposa de verdade! Fazer parte de sua vida! Ou talvez, deseje me tornar sua amante, j que os ingleses parecem s entregar seus coraes a elas e no s suas esposas!

	Eu... Eu no... Entendo  balbuciou atordoado.
	 muito simples, Justin. Quero que voc me ame  falou com ternura.  Acha que algum dia conseguir? Porque tenho medo de estar apaixonada por voc...
Justin sentiu como se seu corao tivesse parado de bater. A declarao de Sunny era to surpreendente que at parecia que ela estava querendo brincar com os sentimentos dele, apesar da honestidade que havia em seus olhos.
Antes que Justin pudesse dizer outra coisa, ela se afastou.
 Meu Deus, estou fazendo papel de tola, no ? Como uma americana vulgar. Por favor, perdoe tudo o que mencionei.
Justin se aproximou e segurou-a no queixo, fazendo com que levantasse os olhos.
	No chore, Sunny. Se quer meu amor, voc j o tem. Voc sempre o teve.
Apesar de sentir que as lgrimas corriam mais livres, ela no fez o menor gesto para impedi-las. Em vez disso, passou os braos ao redor do pescoo de Justin e repousou a cabea em seu peito.
Justin comeou a pensar na melhor maneira de dizer-lhe o quanto a amava, at que percebeu que as palavras no seriam suficientes para exprimir tudo o que sentia. Um gesto de carinho seria melhor para demonstrar a profundidade de seus sentimentos. Por isso, a beijou longa e profundamente, sentindo o gosto salgado das lgrimas. E no instante seguinte, tomou-a nos braos e deitou-a na relva, onde se amaram de verdade.
Depois, enquanto descansavam um nos braos do outro, foi que Sunny percebeu como haviam sido imprudentes. A duquesa de Thornborough deitada seminua no jardim?!
	Como  possvel que tenhamos conseguido dizer tanto em dez minutos se no falamos uma palavra sequer?  indagou estupefacta.
	As palavras so limitadas. Elas podem s explicar uma emoo. O amor  algo muito maior do que qualquer palavra consiga traduzir.  Ele beijou os cabelos de Sunny.  Para algum que parecia odiar ser tocada, esteve maravilhosa.
Sunny corou.
	No comeo eu estava com medo do desconhecido. No demorou muito para eu comear a ansiar por suas visitas, todavia sentia vergonha do meu desejo. E mame havia dito que um homem nunca iria respeitar uma mulher que revelasse sua verdadeira natureza.
	Nesse rea, o conhecimento de sua me  muito reduzido. Deve haver homens assim, porm para mim, o conhecimento de que podemos dividir nossos corpos e desejos com mtuo prazer  o maior dos presentes. Vamos fazer um pacto, meu amor? Vamos prestar ateno ao que o mundo nos diz, porm nos preocuparmos s com aquilo que sentimos?
Sunny acariciou o peito de Justin.
	Acho que  uma ideia divina. Eu s me arrependo de no ter comeado antes. Tinha tanta certeza de que havia se casado comigo s por causa da minha fortuna...
	Nunca duvide de que a amo, Sunny. E eu a amo desde o primeiro momento em que nos vimos, quando voc ainda era a Garota Dourada e eu um insignificante jovem.
	Mas ns quase no nos falamos naquele dia!
	Muito pelo contrrio. Andamos juntos pelos jardins, durante a melhor parte do dia. Eu poderia lev-la pelo mesmo caminho e repetir as mesmas palavras que trocamos. Aquela foi a experincia mais encantadora de toda a minha vida.
E voc no se lembrava disso, no  mesmo?
	Eu me lembrava de que tinha apreciado sua companhia, entretanto encontrei muitas pessoas depois. Voc era muito tmido, um homem atraente que pareceu no ter se interessado por mim. Se me amava, por que no revelou antes?
	Tentei, mas voc nunca queria ouvir. Como cheguei a pensar que pudesse no me amar, no havia nenhuma razo em contar-lhe meus sentimentos tolos... Mesmo se soubesse como fazer.
	Devo pedir desculpas, porque eu o magoei muito.
E voc sempre to atencioso comigo...
	Eu aprendi que ao revelarmos nossos sentimentos, as pessoas os usaro contra ns mesmos. Por isso, tentei escond-los. Mas agora prometo que vou dizer que a amo, pelo menos uma vez ao dia.
	Vai ser timo.  Sunny beijou-lhe o queixo.  Posso pedir uma coisa?
	Qualquer coisa, querida.
	Gostaria muito que dormssemos juntos todas as noites. Mesmo com o aquecimento central, s vezes sinto frio...
Justin sorriu.
	Eu no pensaria em nada melhor. Sempre odiei ter de deix-la sozinha e voltar para minha cama solitria.
	Eu tambm.
Justin beijou-a mais uma vez e o beijo tornou-se mais e mais profundo e exigente.
	Pare, Justin! Ns j nos comportamos mal uma vez. O que iro falar de ns?
	Iro dizer que o duque de Thornborough ama muito sua esposa. - Justin sorriu outra vez para Sunny.  E eles estaro absolutamente certos!

FIM

